Coimbra

Câmara de Coimbra vai rever estratégia local de habitação

Notícias de Coimbra com Lusa | 2 meses atrás em 09-12-2025

A presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, anunciou hoje que vai rever a estratégia local de habitação do concelho, deixando a garantia que não haverá mais habitação social no Planalto do Ingote.

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“Vamos rever a estratégia local de habitação, é uma legitimidade nossa. O Ingote e a freguesia de Eiras concentram cerca de 60% da habitação social e, portanto, fica claro porque nós não vamos continuar a construir habitação social no Planalto do Ingote”, indicou na reunião do executivo municipal.

Esta informação surgiu depois de a vereadora da coligação Juntos Somos Coimbra (PSD/IL/CDS-PP/Nós, Cidadãos!/PPM/Volt/MPT), Ana Cortez Vaz, ter aludido à retirada da proposta de adjudicação de conceção-construção de 32 fogos no Bairro da Rosa, ao abrigo do 1.º Direito/PRR que constava da ordem de trabalhos enviada na sexta-feira de manhã e ter questionado se esta obra iria avançar.

“Para quem não está a par do que estou a falar, trata-se da adjudicação da conceção-construção de um prédio com 32 habitações no planalto do Ingote, próximo do bairro da Rosa. Este prédio faz parte da revisão da Estratégia Local de Habitação, aprovada por unanimidade na reunião de Câmara de 13 de fevereiro de 2023, por maioria na Assembleia Municipal, com a abstenção do PS e votos contra dos Cidadãos por Coimbra”, referiu.

Ana Abrunhosa aproveitou ainda a sua intervenção no período antes da ordem do dia para responder ao vereador da coligação Juntos Somos Coimbra José Manuel Silva, que momentos antes lhe sugeriu a compra do Colégio de São Boaventura, na Rua da Sofia.

“Chove na Casa da Escrita, chove em quase todas as escolas que não tiveram intervenção, chove na maioria dos centros de saúde, a Quinta das Bicas tem um buraco de 11 milhões de euros [ME] e o projeto da Escola José Falcão tem um financiamento assegurado de pouco mais de 20 ME e um projeto que ronda os 40 milhões. Por isso, senhor vereador, a Câmara não tem verbas nem condições para comprar o edifício”, vincou.

A presidente da Câmara de Coimbra, eleita pela coligação PS/Livre/PAN, apontou ainda que há edifícios que estão a ruir na Baixa da cidade, recordando que no sábado 14 pessoas ficaram desalojadas depois da derrocada de um imóvel devoluto.

“Entre recuperar espaços onde chove, recuperar espaços a cair e comprar um espaço que por muita dignidade que tenha e seja Património da Humanidade, não tenho dúvida sobre a opção do município”, evidenciou.

Na sua intervenção, José Manuel Silva recordou que, nos quatro anos em que liderou a autarquia de Coimbra tentou, várias vezes, adquirir um dos colégios da Rua da Sofia, no entanto, os proprietários não informaram pretender vender os imóveis.

“Perante esta notícia, considero que é muito importante a Câmara concretizar esta aquisição: eu não hesitaria em fazê-lo”, disse, notando que “seria profundamente triste” que a autarquia perdesse a oportunidade de “adquirir e iniciar a reabilitação do Colégio de São Boaventura, em consonância com a realização da Manifesta 17”.

Ainda no período antes da ordem do dia, a vereadora Margarida Mendes Silva (PS/Livre/PAN), aproveitou para partilhar “sérias preocupações” com o projeto de habitação social na Quinta das Bicas, em que parte do investimento necessário – 8,8 ME – não tem financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

“Em linguagem comum, temos aqui um buraco financeiro de 8,8 ME. Mas as preocupações não ficam por aqui: persistem necessidades de intervenção em infraestruturas públicas essenciais, para as quais não foi também acautelado o necessário financiamento. (…) Ou seja, tudo somado, o buraco financeiro alarga-se a mais de 11 ME”, afirmou.

Margarida Mendes Silva alertou também para a necessidade de se preparar a integração das famílias que irão residir na Urbanização Quinta das Bicas, sendo essencial a criação de uma Unidade de Missão.