A Câmara de Coimbra reduziu em dois terços o orçamento de programação do Convento São Francisco, que tinha previsto 600 mil euros para este ano no concurso para programador que foi anulado, afirmou hoje vereadora do município.
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A vereadora com a pasta da cultura, Margarida Mendes Silva, vincou que a decisão de anular o concurso público para programador do Convento São Francisco (CSF) não teve “gesto político, mas sentido de rigor e de exigência”.
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“Esse contrato [de programador] implicava um compromisso de 600 mil euros para a programação. Não seria sério assinar um contrato em que nem metade desse valor poderíamos garantir. Neste momento, temos 183 mil euros [para a programação do CSF]”, afirmou a vereadora, durante a reunião do executivo.
Para Margarida Mendes Silva, a decisão de anular o concurso que tinha como vencedor o antigo diretor do Teatro Oficina Mickael de Oliveira “não relega para segundo plano a importância” que o executivo confere “à cultura na política municipal”.
A vereadora salientou que “a alocação de financiamento não pode deixar de ser direcionado para todos os compromissos anteriores, com agentes culturais, entidades gestoras dos equipamentos culturais, os projetos âncora e os apoios à atividade permanente, os quais, por sua vez, já tinham sofrido um corte de 10% no início do ano”.
“Estamos a trabalhar para criar as condições para que quem quer que venha tenha a possibilidade de cumprir as suas expectativas. Estamos a trabalhar quer na revisão das receitas próprias do Convento, quer na procura de empresas que adiram ao mecenato, quer ainda na promoção de candidaturas que possam reforçar o orçamento da programação”, disse.
Em declarações à Lusa no final da reunião, Margarida Mendes Silva explicou que, com a transição de executivos, houve pagamentos que transitaram para 2026, como foi o caso da cortina corta-fogo, com um custo de 200 mil euros, além de custos associados às intempéries – que obrigou todos os departamentos do município a repensar investimentos.
Questionada sobre se falou com o programador sobre a possibilidade de ajustar o projeto às verbas existentes, a vereadora disse que não e que “nem tinha que falar”.
Sobre o concurso, Margarida Mendes Silva considerou que tinha componentes que o limitavam, nomeadamente não haver negociação das propostas apresentadas nem entrevistas.
Questionada sobre se no futuro o município irá voltar ao modelo de concurso público para escolher programador, a vereadora disse que não sabe se irá optar por esse modelo.
“Isso agora não é a minha preocupação. A minha preocupação é criar as condições para ter receitas que permitam não estar tão dependente de um orçamento”, disse à Lusa a responsável.
Sobre como será assegurada a programação do CSF com cerca de um terço do orçamento previsto, a vereadora explicou que alguns projetos foram repensados para 2027, mas que não vai abdicar “nem da qualidade nem da dignidade da programação”, acreditando que tal é possível com a verba existente.
Na reunião do executivo liderado pela coligação Avançar Coimbra (PS/Livre/PAN), Margarida Mendes da Silva pediu que lhe deem tempo, numa intervenção em que terminou a citar o poeta Manuel António Pina: “Não é o princípio nem o fim do mundo. Calma, é só um pouco cedo [o verso do poema termina com ‘um pouco tarde’ e não com ‘um pouco cedo’]”.
O concurso para programador foi lançado há cerca de um ano, pelo anterior executivo composto por uma coligação liderada pelo PSD.
Caso o procedimento se tivesse concretizado, esta seria a primeira vez que aquele equipamento cultural, inaugurado em 2016, teria um programador escolhido por concurso público.
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