Por muito estranho que possa parecer para os amantes desta bebida, o café já foi proibido em várias ocasiões ao longo da história, por motivos que iam desde o medo de revoltas sociais até preocupações económicas ou morais.
Embora tais proibições nunca tenham perdurado, revelam como esta simples bebida esteve no centro de controvérsias políticas e culturais.
Uma das primeiras tentativas de proibição ocorreu no início do século XVI em Meca, quando o governador Khair Beg proibiu o consumo de café e mandou fechar as casas de café, alegando que a bebida “era prejudicial ao corpo, intoxicava a mente e encorajava comportamentos incivilizados”. Mesmo com esta proibição, a ordem do sultão rapidamente permitiu que o consumo privado continuasse, fazendo com que a proibição caísse em desuso.
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Mais de um século depois, no Império Otomano, o sultão Murad IV implementou uma das proibições mais drásticas: em 1633 ordenou o encerramento das casas de café em Istambul e impôs pena de morte a quem fosse apanhado a beber café em público. A medida visava impedir que as pessoas se juntassem e discutissem ideias que pudessem gerar dissidência ou revoltas.
Na Suécia do século XVIII, o café também enfrentou restrições repetidas. Entre meados de 1700 e o início de 1800, o consumo e até a importação de café foram proibidos em várias fases, muitas vezes motivados pela preocupação com défices comerciais e pela desconfiança em relação aos efeitos da cafeína.
Noutro episódio menos conhecido, o rei Frederico, o Grande, da Prússia, considerou que o café era um desperdício de dinheiro e um consumo supérfluo para os seus súbditos, tentando limitar o acesso à bebida e chegando mesmo a instituir um sistema de fiscalização para detectar o aroma de café em casas particulares, punindo quem desrespeitasse as regras.
Apesar destas tentativas de proibição, o café sobreviveu e transformou‑se numa das bebidas mais consumidas do mundo, tornando‑se sinónimo de cultura, socialização e rotina diária em muitas sociedades.