Saúde

Café pode salvá-lo da diabetes?

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 12 horas atrás em 08-01-2026

Imagem: Pexels

Um estudo recente indica que os níveis de cafeína no sangue podem afetar a quantidade de gordura corporal, um fator que, por sua vez, influencia o risco de desenvolver diabetes tipo 2. A investigação, publicada em março de 2023 no BMJ Medicine, utilizou marcadores genéticos para estabelecer uma ligação mais direta entre cafeína, índice de massa corporal (IMC) e predisposição à diabetes.

A equipa internacional, composta por investigadores do Instituto Karolinska na Suécia, da Universidade de Bristol e do Imperial College London no Reino Unido, concluiu que bebidas com cafeína sem calorias poderiam ser exploradas como forma de reduzir os níveis de gordura corporal.

Segundo os autores, “concentrações plasmáticas de cafeína geneticamente previstas mais elevadas foram associadas a um IMC e massa de gordura corporal total mais baixos”. Além disso, níveis mais elevados de cafeína no sangue foram associados a um menor risco de diabetes tipo 2, sendo que aproximadamente metade deste efeito se deve à redução do IMC.

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O estudo analisou dados de quase 10.000 pessoas, utilizando variações genéticas conhecidas por influenciar a velocidade de metabolização da cafeína, principalmente nos genes CYP1A2 e AHR. Indivíduos com certas variantes metabolizam a cafeína mais lentamente, permitindo que ela permaneça no sangue por mais tempo, embora tendam a consumir menos cafeína em geral.

A investigação recorreu à técnica de randomização mendeliana para identificar possíveis relações causais entre cafeína, IMC e diabetes. Apesar da ligação significativa com a diabetes tipo 2, não foram observadas associações entre cafeína e doenças cardiovasculares, incluindo fibrilhação auricular, insuficiência cardíaca ou acidente vascular cerebral.

O estudo reforça evidências anteriores que sugerem que a cafeína pode contribuir para a redução de peso e massa gorda, possivelmente através do aumento da termogénese e da oxidação de gordura no organismo. No entanto, os investigadores alertam que os efeitos a longo prazo ainda são desconhecidos e que é necessário cautela.

“Ensaios clínicos randomizados e controlados são necessários para avaliar se bebidas não calóricas com cafeína podem ajudar a reduzir o risco de obesidade e diabetes tipo 2”, afirmou Benjamin Woolf, epidemiologista genético da Universidade de Bristol.

O estudo destaca a importância de compreender os efeitos metabólicos da cafeína, especialmente considerando o seu consumo elevado a nível global, e abre caminho para novas estratégias na prevenção da obesidade e diabetes.

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