Ranger ou apertar os dentes é um hábito mais comum do que se pensa e muitas pessoas fazem-no sem qualquer consciência, quer durante o dia, quer enquanto dormem.
Dor no maxilar, estalidos na mandíbula ou dores junto aos ouvidos podem ser sinais de alerta para o chamado bruxismo, uma condição que pode trazer consequências sérias para a saúde oral e geral.
Especialistas alertam que sentir dor na têmpora, na face ou no maxilar, dificuldade ao abrir a boca ou ao mastigar, ou a sensação de a mandíbula ficar presa ou estalar, pelo menos uma vez por semana, pode indicar que a pessoa está a ranger ou a cerrar os dentes.
Este comportamento é involuntário e acontece quando os músculos da mastigação são ativados de forma inconsciente, levando ao apertar ou ranger dos dentes. Estima-se que cerca de uma em cada seis pessoas o faça durante o sono e uma em cada quatro enquanto está acordada. Durante a noite, o ranger dos dentes pode produzir um ruído característico, muitas vezes identificado por quem partilha o mesmo quarto, refere o site ZAP.
Quando ocorre de forma leve e ocasional, o bruxismo raramente causa problemas. No entanto, quando é frequente ou intenso, pode provocar desgaste dentário, fraturas nos dentes, dores na articulação temporomandibular, cefaleias de tensão, dores de ouvidos e perturbações do sono, tornando-se um problema doloroso e dispendioso de tratar.
As causas do ranger e apertar dos dentes são variadas e normalmente resultam de uma combinação de fatores físicos, psicológicos e comportamentais. O stress, a ansiedade e a depressão estão entre os principais fatores de risco, assim como o consumo excessivo de cafeína, álcool ou nicotina.
Alguns medicamentos, sobretudo os utilizados no tratamento de doenças psiquiátricas, também podem contribuir para o problema. Existe ainda uma forte ligação entre o bruxismo e a apneia do sono, uma condição que interrompe a respiração durante o descanso e reduz a oxigenação do organismo, desencadeando respostas de stress e espasmos musculares.
O diagnóstico pode ser feito pelo dentista, que avalia o histórico clínico do paciente, questiona sobre dores faciais, dificuldades na mastigação e qualidade do sono, e observa sinais físicos como desgaste anormal dos dentes, fraturas, gengivas retraídas ou alterações na posição dentária. Marcas na língua e no interior das bochechas também são indícios frequentes.
O tratamento passa por identificar e controlar as causas. O médico pode avaliar a medicação em uso, investigar problemas associados como refluxo gástrico, artrite da mandíbula ou apneia do sono, e, se necessário, encaminhar para exames específicos do sono. A fisioterapia especializada pode ajudar a aliviar dores e bloqueios da articulação da mandíbula, enquanto os analgésicos podem ser usados para controlo da dor.
Os dentistas recomendam frequentemente o uso de placas de mordida noturnas, feitas à medida, que protegem os dentes, reduzem a tensão muscular e diminuem os estalidos da mandíbula. Em casos mais persistentes, pode ser considerada a aplicação de botox nos músculos da mandíbula, embora seja um tratamento dispendioso, temporário e nem sempre eficaz.
Os especialistas sublinham, no entanto, que estes tratamentos aliviam sobretudo os sintomas e não as causas do problema. Por isso, é essencial adotar estratégias para reduzir o stress e melhorar a qualidade do sono. Pequenas mudanças, como diminuir o consumo de cafeína e álcool, evitar dispositivos eletrónicos antes de dormir e manter uma rotina de descanso adequada, podem ter um impacto significativo na saúde e ajudar a prevenir dores e tratamentos mais complexos no futuro.