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Bruno Matias a “poucos passos da nossa tão querida Cabra”

Notícias de Coimbra | 10 anos atrás em 15-10-2013

Ontem: Os serviços de apoio de Bruno Matias esqueceram-se de convidar Notícias de Coimbra para a apresentação da candidatura: Hoje: Lembraram-se de nos enviar o discurso do estudante de Direito, que reproduzimos na integra:

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Discurso da Apresentação Oficial da Candidatura aos Órgãos Gerentes da Associação Académica de Coimbra:
Caras e caros colegas,
Senhoras e senhores jornalistas
Minhas Senhoras e Meus Senhores,

No edifício mais antigo da Universidade de Coimbra, a poucos passos da nossa tão querida “Cabra” e na histórica e prestigiada Faculdade de Direito, quero dizer-vos que serei candidato a Presidente da Direcção-Geral da Associação Académica de Coimbra.

Sou estudante finalista nesta mesma Faculdade, fui presidente do Núcleo de Estudantes de Direito no ano transato e sou atualmente Senador da Faculdade de Direito. Estando desde o primeiro ano ligado à AAC, estou convicto que é o momento certo para assumir este compromisso, entregando a minha dedicação total e absoluta a uma paixão que me tomou desde a primeira hora: a Académica.

Este projeto, que vem sendo construído há 4 meses, cedo definiu como suas prioridades a política educativa, a reorganização administrativa, a ligação ao mercado de trabalho e a aproximação aos estudantes.

Caras e caros colegas,
A Associação Académica de Coimbra, desde há vários anos que se tem vindo a afastar dos estudantes. A responsabilidade da indiferença, parece-me, é de todos os sócios. É necessário entender aquilo que a Associação Académica foi no passado, mas acima de tudo aquilo que ela é no presente. A Associação Académica dos quase 126 anos, das 26 Secções Desportivas, das 16 Secções Culturais, dos 26 Núcleos de Estudantes e dos 7 Organismos Autónomos; a AAC da tomada da Bastilha, a AAC do combate ao Regime, e, mais recentemente, a AAC do Decreto-lei 70/2010 e tricampeã europeia de desporto universitário.
Para nós, só se combate esta indiferença desde o primeiro dia de construção de projeto, ou seja, na forma como envolvemos os estudantes na sua elaboração. Precisamos de demonstrar que cada um, independentemente do seu passado, da sua participação mais ou menos activa, pode contribuir para o futuro da Associação Académica de Coimbra. Mas só o conseguiremos fazer dando a oportunidade a todos para deixar a sua marca, o seu esforço, as suas ideias num ideal que é maior que o conjunto de estudantes que se propõe a dar-lhe forma.

Caras e caros colegas,
O País e o Ensino Superior público passam hoje por graves dificuldades financeiras. Só este ano, o corte no Ensino Superior irá ascender aos 10 milhões de euros. Concretamente a Universidade de Coimbra, ao longo dos últimos 3 anos, sofreu cortes acima dos 30% da dotação do Orçamento de Estado que lhe estava atribuída. Na Ação social, a realidade é cada vez mais alarmante e não só o número de bolsas baixou, como o valor das mesmas também foi diminuido, promovendo o abandono escolar. Para além disso, o número de estudantes que entrou para o Ensino superior foi o mais baixo dos últimos 10 anos. Isto significa, que o estado da Educação em Portugal está em claro retrocesso e que necessitamos de uma intervenção urgente nesta área que estanque a hemorragia a que temos assistido. A Educação que deveria, em qualquer País desenvolvido, ser uma aposta contínua e permanente, continua a ser uma das áreas mais prejudicadas com os cortes orçamentais. A Associação Académica de Coimbra, representante de 23 mil estudantes, mas acima de tudo responsável por combater pelo futuro de todos os estudantes tem, obrigatoriamente, uma palavra a dizer. É preciso fazer uma política de ideias, irreverente e descomprometida, mas também de alma e coração, que tenha os anseios e expectativas dos estudantes como seu grande desígnio.

Na política educativa, queremos continuar o caminho de identificação de problemas. No entanto, esta actuação não pode fazer-se de forma vazia e de contestação fácil. Ao mesmo tempo que apresentaremos uma postura de intransigência no que toca à defesa dos direitos e dos interesses dos estudantes, acompanhá-la-emos de uma postura responsável e construtiva, assente na apresentação de soluções concretas e objectivas, sustentadas no debate de ideias e na preparação científica das mesmas. Os estudantes precisam de sentir que a sua Associação Académica, que os representa, diga não só o que pensa mas acima de tudo o que os estudantes sentem neste momento, pois só assim vão entender a AAC como a sua defensora.

Permitam-me que vos conte uma história pessoal, que ilustra bem a realidade destes tempos. Há pouco tempo, um amigo meu, hoje licenciado, costumava marcar presença em todas as aulas. Mas havia uma aula, uma das mais participadas e em que por vezes alguns de nós estávamos sentados no chão, na qual ele chegava sempre cedo e sentava-se sempre junto a uma colega que fazia, nesse ano, a repetição dessa unidade curricular. Sentaram-se lado-a-lado nas aulas durante 2 meses. No início de abril de 2012 ela deixou de aparecer. O meu amigo soube dias mais tarde que ela tinha abandonado o Ensino Superior por dificuldades financeiras. Hoje é não só mais uma cadeira vaga como também mais um futuro que se perdeu. Foi uma das vítimas, assim como amanhã poderá ser qualquer um de nós. É preciso acordar para esta realidade. É urgente que se repense o caminho trilhado para o Ensino Superior e que se perceba, definitivamente, que só com mais e melhor financiamento no Ensino Superior poderemos construir um futuro melhor. Os estudantes estão preparados para dificuldades, mas não estão preparados para a sua exclusão de uma forma absolutamente injusta do Ensino Superior.

Caras e caros colegas,
A AAC passa hoje por uma reestruturação administrativa e financeira complexa e demorada. Apesar do trabalho desenvolvido durante este ano, que é publicamente assumido por todos como positivo, é necessário mais. A Associação Académica de Coimbra não pode estar refém das festas académicas e é necessário redefinir os seus objetivos. Sendo assim, queremos apresentar um plano de 3 anos para a AAC , que seja transversal a toda a casa e que se concentre na captação de um maior número de parcerias com o objetivo de reduzir a despesa, na redução concreta do passivo, na apresentação de um caminho seguro a nível financeiro para toda a Casa e ainda na apresentação do caminho a seguir no que toca ao Desporto e ao Desporto Universitário, à Cultura, à Politica Educativa e nas restantes áreas de intervenção da Associação Académica de Coimbra. Penso que, só assim, deixaremos de viver ano a ano sem um plano estratégico para o futuro da casa. Ainda a nível administrativo, queremos criar um sistema de controlo interno, para garantir a proteção da AAC em relação a contratos com terceiros e com o objetivo de obter apoio ao nível consultivo.

Queremos ainda continuar a apoiar o Desporto e a Cultura. Estou convicto que a DG/AAC tem mecanismos para criar mais condições para a divulgação das secções culturais e mais condições para a realização de eventos. No que toca ao desporto, dedicaremos especial atenção ao Desporto Universitário. A candidatura aos EUSA GAMES 2018 já foi lançada e tenho a certeza que, desta vez, venceremos. Sendo o Desporto Universitário responsabilidade da Associação Académica, a Reitoria e a Câmara Municipal de Coimbra têm a obrigação de criar verdadeiras condições de trabalho para os nossos atletas e de apoiar a Direcção-Geral na sua organização. Se não for concluído até lá, é nossa prioridade a criação de um gabinete de Desporto Universitário entre a DG/AAC, Reitoria e CMC. Sendo o clube mais eclético do país, a própria cidade tem o dever de dar mais apoio aquele que é o pulmão desportivo da Cidade.

Ao nível das saídas profissionais, não podemos continuar a permitir que os nossos estudantes não sejam acompanhados após o seu percurso académico, sendo também necessário repensar as políticas de emprego e de aproximação ao mercado de trabalho. As competências específias dos núcleos de estudantes nesta matéria permitem a realização de parcerias com uma multiplicidade de actores nas diversas áreas económicas que permitirão à Direcção-Geral e à Associação Académica de Coimbra dar respostas numa das áreas mais preocupantes para os estudantes universitários.

A AAC, bem como a UC, tem a responsabilidade de acompanhar aqueles que representou e que formou. A AssociaçãoAcadémica de Coimbra, como uma casa de cultura e de desporto, é também uma casa de formação e por isso tem obrigação de criar condições para que os estudantes que representa tenham uma melhor transferência para o mercado de trabalho. Sendo assim, queremos criar uma bolsa de emprego, que contenha estágios profissionais, curriculares e estágios de verão para garantir uma melhor formação dos estudantes. A par disto, a AAC pode e deve alterar o molde das actividades de emprego. O que nos propomos a fazer é criar condições para que em cada pólo, departamento ou faculdade, dependendo da sua dinâmica, a DG/AAC crie condições para os Núcleos representantes organizem feiras de emprego. Ou seja, a DG/AAC cria condições para as entidades que melhor conhecem o seu futuro mercado: Os núcleos de estudantes. Estou certo de que, se conseguirmos criar estas duas redes de trabalho, conseguiremos mudar o paradigma no que toca ao trabalho desenvolvido anteriormente.

No entanto, esta responsabilidade não recai apenas em nós. A Universidade de Coimbra, para o seu próprio bem, deve acompanhar o percurso dos seus ex-estudantes. A abertura de portas ao mundo do trabalho, a dinamização de relações com o este e o establecimento de parcerias com as demais entidades empregadoras devem ser apostas da Universidade.
Caras e Caros colegas,

Estamos num edifício que é agora Património Mundial da Humanidade. O orgulho de pertencer a uma Universidade que é uma das mais antigas e agora parte integrante do restrito grupo de Universidades consideradas património da Humanidade, é um enorme motivo de orgulho para todos. Contudo, isso traz também muitas responsabilidades. Estar à altura do passado desta casa é obrigação de todos nós. A preservação da Universidade e dos nossos espaços, a defesa da nossa Instituição e a forma apaixonada como falamos de Coimbra e da Universidade é fundamental, mas a visão critica e a apresentação de alternativas devem estar sempre presentes como motores de uma universidade progressivamente melhor.

Caras e Caros colegas,
A Associação Académica de Coimbra, prestes a completar 126 anos de história, dá-nos tudo o que precisamos para crescer como indivíduos e apenas nos pede que saibamos honrar o seu passado, preservar o presente e construir o seu futuro.
Para terminar, quero dizer-vos que este projeto sabe exatamente o caminho que quer seguir. Apostar no desenvolvimento sustentável do Desporto e da Cultura, garantir uma política educativa forte e reivindicativa, uma ligação ao mercado de trabalho segura euma verdadeira aproximação aos estudantes são pontos fundamentais do nosso projeto.

Este grupo de pessoas, assente num equilíbrio entre o sangue novo e a experiência, que tenho o orgulho de liderar, tem dado o máximo de si e tem feito deste um projeto único e diferente de todos os outros. A forma como tenho visto todas estas pessoas a aplicarem-se na construção de uma Académica melhor é verdadeiramente impressionante. E isso acontece porque sabemos que nesta Académica, todos temos lugar. Dizia muitas vezes que este é o ano certo porque é este o ano que tenho as pessoas certas para trabalhar comigo na Associação Académica de Coimbra. Não podia estar mais correto. Desde cedo que trabalhamos para construir um projeto composto por pessoas que tem vindo a demonstrar qualidades na Direcção-Geral, nos diversos Núcleos e nos Órgãos da UC, e isso é hoje uma realidade. Quero agradecer a todos aqueles que têm vindo a construir, pedra a pedra, este movimento e dizer-lhes que é um privilégio ter a oportunidade de liderar um projeto com tamanha capacidade e que caminha, estou convicto, a passos largos rumo à vitória.

Desde que lançámos a nossa imagem que temos vindo a divulgar uma estrofe de um poema do ilustre Carlos Carranca, que não pôde comparecer hoje por motivos profissionais, mas que colaborou connosco como puderam verificar no vídeo e a quem, desde já, agradeço. O poema intitula-se “A Académica” e caracteriza exatamente aquilo que nos somos e aquilo que queremos que a Associação Académica de Coimbra seja.

Nessa estrofe , Carlos Carranca diz
“Eu sei que não sabem destas coisas, os que vivem e se bastam dos presentes. Mas nos éramos o sonho e a alegria de sermos todos juntos e diferentes”

A nossa alegria é saber que cada um de nós, estudantes da Universidade de Coimbra, pode vir a construir a Académica de todos e de cada um. A nossa alegria é saber que cada um de nós, independentemente, da idade, matrícula, faculdade ou curso, tem hoje a oportunidade de participar num projeto construído pelos estudantes, para os estudantes. A nossa alegria é saber que num País onde a esperança não existe e o pessimismo é generalizado, ainda há pessoas que lutam pela sua Academia, pela sua Universidade e pelo seu País. A nossa Alegria é saber que vamos demonstrar a este País, ao longo deste percurso que, estou certo, terminará em janeiro de 2015, que o bom Associativismo está bem vivo em cada um de nós.
O nosso sonho é saber que é possível fazer tudo isto num projeto de união e diferença, e com um único objetivo: A Académica.

Caras e caros colegas,
Senhoras e senhores jornalistas
Minhas Senhoras e Meus Senhores,
Assumimos hoje os nossos princípios e compromissos para com a Academia. Espero contar com a participação de cada um de vós na construção da Académica!
Muito Obrigado,
Viva a Associação Académica de Coimbra!
Bruno Matias

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