Condeixa foi uma das áreas mais afetadas pela tempestade Kristin que, com ventos fortes durante a madrugada, provocou danos avultados e deixou os Bombeiros Voluntários de Condeixa em alerta constante.
De acordo com o comandante dos Bombeiros, Tiago Picão, as ocorrências têm sido incessantes desde as primeiras horas da manhã.
“Foi bastante pior do que o Leslie, em termos de danos e número de ocorrências. Os telefones não param de tocar, a pedir ajuda”, referiu o comandante Tiago Picão, acrescentando que o conselho tem sido particularmente atingido por quedas de árvores e estruturas devido à intensidade do vento.
Uma das consequências mais dramáticas da tempestade foi o desalojamento de várias famílias. “Temos três famílias, cerca de 12 pessoas, que ficaram sem condições de habitabilidade nas suas casas, devido ao arranque dos telhados”, afirmou Picão. Embora as famílias afetadas estejam atualmente alojadas em casas de familiares, o impacto das condições de habitabilidade continua a ser uma preocupação.
Além disso, o telhado de um restaurante no IC2 foi levado pelo vento, o que causou o corte temporário da via, dificultando o trânsito e a mobilidade na região.
A tempestade, que atingiu o pico por volta das 5:30, deixou a cidade de Condeixa em situação de caos, com o Corpo de Bombeiros a lidar com um elevado número de ocorrências.
Até ao momento, o Corpo de Bombeiros de Condeixa registou 174 ocorrências, das quais 74 ainda precisam de resposta.
“Temos 110 operacionais envolvidos na resposta, incluindo bombeiros locais e reforços de várias sub-regiões, além de várias empresas e juntas de freguesia que têm colaborado com apoio logístico”, explicou Tiago Picão.
A situação de emergência também contou com a colaboração da Proteção Civil Municipal, que fez um ponto de situação às 17:00. O objetivo foi coordenar esforços e garantir o restabelecimento da normalidade nas áreas mais afetadas.
As falhas de energia têm sido outro dos grandes desafios em Condeixa, com várias localidades ainda sem eletricidade e telecomunicações.
“Muitas zonas têm postos afetados e estão em áreas de difícil acesso, o que tem dificultado o trabalho de reposto da energia”, explicou Picão.
As autoridades estão a monitorizar a situação de perto e esperam que, até ao final da noite, algumas áreas possam ver a reposição de energia.
Dado o alerta vermelho para o mau tempo e a previsão de mais rajadas de vento e chuvas fortes, as autoridades recomendaram à população que se mantenha em casa e evite deslocações desnecessárias. “Ainda há muitas estradas cortadas e algumas árvores que, apesar de não terem caído, estão danificadas e podem ceder nas próximas horas”, alertou Tiago Picão.
O comandante dos Bombeiros de Condeixa também fez um apelo à calma, reforçando que a situação deve ser acompanhada de perto, pois “nos próximos dias, será necessário continuar a resposta a todas as ocorrências. Vai ser um trabalho longo e exigente, mas vamos continuar a garantir a segurança da população.”
Até ao momento, o número de ocorrências pode ainda aumentar, já que várias zonas de difícil acesso estão ainda sem eletricidade, e as condições meteorológicas continuam a desafiar os esforços de recuperação.
O trabalho dos operacionais continuará durante a noite e nos próximos dias. Tiago Picão garantiu que, apesar do cansaço das equipas de socorro, a prioridade continua a ser a segurança da população e o restabelecimento das condições normais de vida no concelho.
“A situação vai ser desafiante. Estamos preparados para enfrentar este longo processo e para dar resposta a todas as ocorrências. A segurança das pessoas é a nossa maior prioridade”, concluiu o comandante.
O Conselho de Condeixa continua em alerta, com as autoridades locais a acompanhar a evolução da situação e a apelar à colaboração de todos os cidadãos para enfrentar os desafios que a tempestade Cristina trouxe à região.