O Bloco de Esquerda (BE) defendeu hoje que a depressão Kristin demonstra como o distrito de Coimbra “continua estruturalmente vulnerável a fenómenos climáticos extremos”, após os diversos danos registados no território.
A Comissão Coordenadora Distrital de Coimbra do BE, num comunicado enviado hoje à agência Lusa, refere que a depressão de quarta-feira “volta a expor uma realidade bem conhecida por quem vive no distrito de Coimbra”.
“O território continua estruturalmente vulnerável a fenómenos climáticos extremos, como ficou evidente na tempestade Leslie, em 2018, e agora novamente com a Kristin, em 2026”, frisa.
De acordo com a distrital bloquista, “não se trata de acontecimentos excecionais, mas de efeitos cada vez mais frequentes da crise climática, resultado de um modelo económico inconsequente”.
A vulnerabilidade é, na ótica do BE, agravada por décadas de privatização de serviços essenciais (como a energia e as telecomunicações), pela falta de investimento na Proteção Civil, falta de ordenamento do território e ausência de políticas consistentes de cuidado com os territórios e as populações.
“Estas situações atingem de forma particularmente dura as zonas do interior do distrito e os territórios rurais, mesmo quando próximos dos centros urbanos”, sublinha.
Isto revela “as fragilidades de um modelo profundamente centralista, que concentra recursos e decisões demasiado longe das comunidades e falha repetidamente na prevenção e na resposta rápida”.
Ao afirmar que a proteção das pessoas e do território tem de estar no centro das políticas públicas, defende que é “urgente investir seriamente na adaptação às alterações climáticas, na prevenção de riscos, no reforço da Proteção Civil, na requalificação das infraestruturas e no apoio às comunidades mais vulneráveis”.
O partido expressa “a sua profunda solidariedade” com todas as pessoas, comunidades e vítimas afetadas pela depressão, bem como com “todos os profissionais que, em condições difíceis, estiveram nas operações de socorro, proteção e reposição de serviços essenciais”.
O Bloco de Esquerda sublinha que a depressão “atingiu com violência o distrito de Coimbra”, na quarta-feira, “provocando cheias, deslizamentos, danos significativos em habitações, equipamentos públicos e infraestruturas, evacuações preventivas e a interrupção prolongada de serviços básicos”.
“Segundo a Proteção Civil da Região de Coimbra, os impactos fizeram-se sentir nos 19 municípios da Região Metropolitana de Coimbra, com especial incidência no litoral e na zona centro do distrito, mas também em concelhos do interior e em zonas rurais ou periurbanas próximas das cidades”.
Apesar de ainda faltarem elementos que permitam ter uma visão completa dos danos e das vítimas, “os relatos que chegam de várias localidades são deveras preocupantes”.
O BE classifica a solidariedade como indispensável em momentos de emergência, um ato que se traduz “na rápida avaliação dos prejuízos, no apoio efetivo à reparação dos danos e, sobretudo, na responsabilidade política de agir de forma preventiva, antes da próxima tragédia”.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de dia 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.