Política
Bloco de Esquerda exige explicações ao Governo sobre corte de sobreiros em Oliveira do Hospital
O Bloco de Esquerda (BE) exigiu, na segunda-feira, esclarecimentos urgentes ao Governo, após a autorização para o abate de mais de 500 sobreiros no concelho de Oliveira do Hospital, associado ao desenvolvimento de um projeto privado.
“A decisão do Governo de atribuir o estatuto de ‘imprescindível utilidade pública’ a um projeto de painéis fotovoltaicos da Sonae Arauco é considerada pelo partido como um erro ambiental e político profundo, que subverte a proteção de uma espécie símbolo nacional”, destacou.
O BE dirigiu, na segunda-feira, uma pergunta ao Ministério do Ambiente e da Energia, onde pretendem que o Governo justifique a utilização do estatuto de “utilidade pública” para o abate de 508 sobreiros, “ignorando a função técnica destas árvores enquanto barreiras naturais contra o fogo em zonas de alto risco de incêndio”.
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“Por que razão não foram consideradas as alternativas de localização num raio de cinco quilómetros que evitariam a destruição do sobreiral e o impacto paisagístico no Vale do Alva, conforme defendido pela oposição e especialistas locais?”, questionou.
Numa nota de imprensa enviada à agência Lusa, o BE indicou que o projeto em causa prevê a destruição de 172 exemplares de sobreiros adultos e 336 jovens para viabilizar uma unidade de autoconsumo fotovoltaico.
“Este é um caso claro de ‘greenwashing’ [fingir preocupação ambiental], onde a transição energética é utilizada como pretexto para sacrificar património natural e biodiversidade em prol de interesses privados de um grande grupo industrial”, vincou.
O BE alertou para a gravidade técnica desta decisão, uma vez que o sobreiro é reconhecido como uma “árvore bombeira” pela sua capacidade de manter a humidade do solo e criar resiliência contra o fogo.
“Numa zona de alto risco de incêndio, a remoção destas barreiras naturais e a eliminação de caminhos florestais públicos essenciais para o combate a fogos representam uma ameaça direta à segurança das populações de Oliveira do Hospital”, no interior do distrito de Coimbra, acrescentou.
Os bloquistas contestaram ainda o argumento governamental de “inexistência de alternativas”, apontando a presença de terrenos viáveis num raio de cinco quilómetros que não exigiriam o abate de povoamentos protegidos nem o atentado paisagístico na encosta do Vale do Alva.
No documento enviado ao Ministério do Ambiente e da Energia, perguntam ainda como é que o Governo garante a segurança das populações de Oliveira do Hospital, face à eliminação de caminhos florestais essenciais ao combate a incêndios prevista neste projeto fotovoltaico.
“O Bloco de Esquerda reafirma que o Estado não pode abdicar da proteção de áreas classificadas em troca de contrapartidas financeiras ou replantações que não substituem o valor ecológico de uma floresta adulta e estabelecida”, concluiu.
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