Portugal
Bioenergia avançada: resíduos e subprodutos podem reforçar autonomia energética de Portugal
A volatilidade nos mercados energéticos, evidenciada por constrangimentos em pontos críticos como o Estreito de Ormuz, tem reforçado a necessidade de uma matriz energética mais diversificada e de reduzir a dependência de fontes externas.
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Num contexto marcado pelo aumento dos preços dos combustíveis e pela maior incerteza geopolítica, a aposta em energias renováveis e em soluções baseadas em recursos endógenos, como a bioenergia produzida a partir de resíduos e subprodutos, assume-se como um vetor essencial para aumentar a resiliência dos sistemas e a competitividade da economia portuguesa.
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“A bioenergia avançada traz benefícios claros para o ambiente, para a economia e para a sociedade. Ao substituir progressivamente os combustíveis fósseis, afirma-se como uma resposta concreta à volatilidade dos mercados energéticos e à necessidade de reforçar a autonomia energética nacional”, afirma Ana Calhôa, Secretária-Geral da Associação de Bioenergia Avançada (ABA).
A ABA identifica quatro tipos de resíduos e subprodutos que podem ser aproveitados para a produção de bioenergia avançada. Entre os resíduos domésticos, destacam-se restos alimentares e óleos alimentares usados, que podem ser transformados em biometano ou biodiesel, reduzindo as emissões de gases com efeito de estufa e a dependência de combustíveis fósseis. Já os subprodutos agrícolas, como cascas, palha ou restos de colheitas, permitem gerar energia de forma descentralizada, criar rendimento adicional para os produtores e promover a sustentabilidade do setor.
Os resíduos florestais, provenientes de limpezas de matas e florestas, constituem outra oportunidade, não só para produção de bioenergia, mas também como ferramenta de gestão de risco, ajudando a reduzir a acumulação de biomassa que aumenta o risco de incêndios em períodos de seca e calor intenso. Por fim, os excedentes industriais podem ser valorizados para a produção de bioenergia, fechando ciclos produtivos, reduzindo desperdícios e fomentando a inovação tecnológica, ao mesmo tempo que fortalecem a competitividade do setor industrial.
A ABA sublinha que a articulação entre o setor industrial, a ação individual e as políticas públicas é fundamental para avançar para uma sociedade neutra em carbono. Promover uma economia mais circular e resiliente, em que a bioenergia avançada valoriza resíduos e subprodutos e assegura uma utilização eficiente dos recursos, é uma resposta concreta aos desafios energéticos e ambientais do país.
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