Primeira Página

Bebés conseguem distinguir objetos aos 2 meses (ciência está surpreendida)

Notícias de Coimbra com Lusa | 12 horas atrás em 03-02-2026

Imagem: depositphotos.com

Um novo estudo sugere que os bebés são capazes de distinguir entre os diferentes objetos que os rodeiam aos dois meses de idade, o que é mais cedo do que os cientistas pensavam.

PUBLICIDADE

publicidade

As descobertas, publicadas na segunda-feira na revista Nature Neuroscience, podem ajudar médicos e investigadores a compreender melhor o desenvolvimento cognitivo na primeira infância.

“Isto mostra-nos realmente que os bebés interagem com o mundo de uma forma muito mais complexa do que poderíamos imaginar”, frisou a autora principal, Cliona O’Doherty.

“Ao observar um bebé de dois meses, talvez não pensássemos que ele compreende o mundo a este nível”, acrescentou.

O estudo analisou dados de 130 bebés de dois meses que foram submetidos a exames de imagem cerebral enquanto acordados.

Os bebés visualizaram imagens de doze categorias comuns no primeiro ano de vida, como árvores e animais.

Quando os bebés olhavam para uma imagem como a de um gato, os seus cérebros podiam “disparar” de uma determinada forma que os investigadores conseguiam registar, explicou O’Doherty.

Se olhassem para um objeto inanimado, os seus cérebros reagiriam de forma diferente.

A técnica, conhecida como ressonância magnética funcional (fMRI), permitiu aos cientistas examinar a função visual com maior precisão do que no passado.

 Muitos estudos anteriores baseavam-se no tempo que um bebé olhava para um objeto, o que pode ser difícil de avaliar em idades mais jovens.

Alguns destes estudos anteriores sugeriram que os bebés de apenas 3 a 4 meses conseguiam distinguir entre categorias como animais e mobiliário.

“O que estamos a mostrar é que eles realmente já têm esta capacidade de agrupar categorias aos dois meses. Portanto, é algo muito mais complexo do que imaginávamos antes”, realçou O’Doherty.

No novo estudo, muitos dos bebés regressaram aos 9 meses, e os investigadores recolheram dados com sucesso de 66 deles.

Nos bebés de 9 meses, o cérebro foi capaz de distinguir os seres vivos dos objetos inanimados com muito mais clareza do que nos bebés de 2 meses, destacou O’Doherty.

Um dia, disseram os investigadores, os cientistas poderão ser capazes de ligar este tipo de imagem cerebral aos resultados cognitivos mais tarde na vida.

Liuba Papeo, neurocientista do Centro Nacional de Investigação Científica de França, analisou que o número de bebés no estudo é um dos fatores que tornam o trabalho “impressionante e único”.

A obtenção de imagens cerebrais de bebés muito jovens apresenta desafios.

“Um deles — talvez o mais óbvio — é que o bebé precisa de estar confortavelmente deitado no aparelho de ressonância magnética funcional (fMRI) enquanto está acordado e sem se mexer”, referiu, numa resposta por e-mail.

O’Doherty, que realizou o estudo no Trinity College Dublin, na Irlanda, considerou que o fundamental era tornar a experiência o mais confortável possível para os bebés.

Dentro do aparelho, estavam reclinados numa almofada para se sentirem aconchegados.

As imagens “aparecem enormes acima deles enquanto estão deitados (…) como um filme IMAX para bebés”, acrescentou.