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Beatas de cigarro podem vir a alimentar carros elétricos

Notícias de Coimbra | 10 minutos atrás em 04-02-2026

As beatas de cigarro são um dos resíduos mais poluentes do planeta, mas uma equipa de investigadores da Universidade de Henan, na China, poderá ter encontrado uma forma inovadora de transformar este lixo tóxico numa solução para o futuro da energia sustentável.

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O estudo aponta para a possibilidade de utilizar filtros de cigarros reciclados na produção de componentes para baterias e supercondensadores, com potencial aplicação em veículos elétricos e redes energéticas, escreve o site Leak.

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Os filtros de cigarro são maioritariamente constituídos por acetato de celulose, um tipo de plástico que demora anos a degradar-se e que liberta microplásticos, nicotina e metais pesados no ambiente. No entanto, os cientistas concluíram que esta mesma estrutura pode servir de base para a criação de elétrodos de carbono poroso, essenciais no armazenamento de energia.

O processo de transformação envolve duas fases principais. Numa primeira etapa, as beatas são submetidas a um tratamento hidrotérmico, semelhante a um processo de “panela de pressão”, que permite convertê-las em hidrocarvão. Posteriormente, este material é misturado com hidróxido de potássio e aquecido a temperaturas elevadas, num ambiente sem oxigénio, originando uma estrutura altamente porosa.

Segundo os investigadores, é precisamente esta rede de nanoporos que confere ao material propriedades excecionais. A elevada área de superfície facilita a circulação e fixação de iões, aumentando significativamente a eficiência no armazenamento e libertação de energia.

O material resultante revela-se especialmente adequado para a produção de supercondensadores, dispositivos capazes de libertar grandes quantidades de energia de forma quase imediata. Estes equipamentos poderão ser utilizados para estabilizar redes elétricas durante picos de consumo, apoiar veículos elétricos em momentos de aceleração rápida e até integrar sistemas tecnológicos avançados noutras áreas, como a filtragem de água.

Apesar dos resultados promissores em laboratório, os investigadores alertam que o grande desafio passa agora pela viabilidade económica e pela produção à escala industrial. Caso o projeto avance, resíduos que hoje poluem ruas, solos e oceanos poderão vir a desempenhar um papel relevante na transição energética e na mobilidade elétrica do futuro