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Política

Autárquicas: IL diz que eleição em dois fins de semana gera mais problemas do que soluções

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A Iniciativa Liberal acusou hoje o ministro da Administração Interna de “desorientação” e considerou que haver autárquicas em dois fins de semana “gera mais problemas que aqueles que resolve”, defendendo votações em “dois dias consecutivos”.

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita admitiu hoje, em entrevista à agência Lusa, a possibilidade de as eleições autárquicas, previstas para setembro ou outubro, se realizarem em dois fins de semana devido à pandemia de covid-19.

O deputado único e presidente da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, referiu que o partido está “a ultimar um projeto de lei de alteração das várias leis eleitorais que também prevê mais que um dia de votação”, não devido à pandemia, mas como solução para aumentar a participação das pessoas.

“O nosso modelo vai prever dois dias consecutivos e não dois fins de semana que gera uma série de problemas logísticos e até de segurança relativamente à eleição que nos parecem complicados”, apontou, considerando que a ideia defendida pelo ministro “gera mais problemas que aqueles que resolve”.

Em relação às declarações de Eduardo Cabrita, para o liberal estas são “mais uma prova de desorientação deste ministro”.

“Faz um anúncio destes sem se perceber se é relacionado com o medo da pandemia ainda estar demasiado presente na altura das eleições – que seria gravíssimo do ponto de vista da confiança daquilo que se está a fazer e do plano de vacinação em concreto – ou se isso é uma alteração mais estrutural”, lamentou.

Cotrim Figueiredo insiste que “prever dois fins de semana para eleições gera problemas de controlo da integridade da votação altamente complexos”.

“É mais uma prova da trapalhada no conteúdo daquilo que está a ser proposto ou, certamente – isto já não há dúvida – da comunicação do mesmo”, condenou.

Sobre as dificuldades apontadas pelo ministro em relação ao voto antecipado em mobilidade para as autárquicas, o deputado da Iniciativa Liberal concordou com o ministro.

“No caso das autárquicas isso é verdade, mas o que se pode fazer em mobilidade é, dentro do mesmo concelho, fazer o que se faz à escala nacional na mobilidade nas outras eleições. Não tem o mesmo efeito, mas mitigaria alguns dos casos”, propôs.

Na entrevista à Lusa, Eduardo Cabrita disse que nas eleições autárquicas “não está previsto o voto antecipado”, mas existe “abertura para ponderar modelos”, sendo “a distribuição do voto entre dois fins de semana perfeitamente possível”.

Ressalvando que “tudo depende da Assembleia da República”, o governante explicou que, nas eleições autárquicas, “não é possível o voto em mobilidade porque isso implicaria ter tantos boletins de voto disponíveis quantas as três mil freguesias que existem no país e, portanto, seria uma operação logística impossível”.

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