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Coimbra

Aurora Cunha com Boa Vontade

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A Legião da Boa Vontade está a distribuir cabazes de Natal por mais de 500 famílias carenciadas do Porto, para, daqui a três dias, ajudar 300 outras, em Lisboa, a ter um período de festas mais digno.

A instituição de inspiração cristã já o fez em Braga, onde distribuiu cabazes de cerca de sete quilos por 117 famílias, e em Coimbra, onde 100 famílias já receberam também esta ação em que “o mais importante, nesta altura festiva, são os brinquedos para as crianças”, disse à Lusa Eduarda Pereira, colaboradora da Legião da Boa Vontade (LBV).

Os sacos com alimentos, roupas, cobertores e brinquedos são angariados “muito com a ajuda de voluntários”, mas numa quantidade que estagnou desde 2008, segundo Eduarda Pereira, enquanto a procura dos cabazes cresceu na ordem dos 40 por cento no mesmo período.

“Algumas pessoas que até colaboravam connosco tiveram também que pedir ajuda”, revela a colaboradora da LBV, sublinhando que a instituição vai, ainda assim, “fazendo cada vez mais campanhas, para poder, aos poucos, reunir e continuar a atender com qualidade, que é o que mais interessa”.

No que ao nível financeiro diz respeito, a instituição tem “conseguido manter, graças a Deus e, claro, a todos os que colaboram, essas contribuições”, considerou Eduarda Pereira, advertindo que as doações em género devem ser feitas como se fossem “para pessoas como nós”.

“Relativamente à roupa, devem ter o cuidado de estar em boas condições, se estão bem conservadas. Estamos a precisar muito de cobertores para os sem-abrigo. Há que ter atenção aos alimentos, para que não sejam perecíveis e para que possamos mantê-los durante algum tempo nos cabazes”, advertiu.

Campeã do mundo durante três anos consecutivos em 10 e 15 km de estrada e vencedora das maratonas de Paris, Tóquio e Roterdão, a antiga atleta do FC Porto Aurora Cunha participou na doação dos cabazes lamentando que “não se faça destas coisas 365 dias por ano”.

Aos 54 anos, Aurora Cunha é convidada habitual nas angariações e doações da LBV e pretende “dizer a estas famílias que não desanimem, porque temos que lutar todos os dias”, até porque sempre que acompanha, à noite, as distribuições de alimentos pelos sem-abrigo, verifica que “triplicou o número de pessoas que vêm buscar a sopa”, pelo que apela à caridade ao longo de todo o ano.

“É evidente que agora toda a gente se lembra do Natal, porque já é tradição, mas temos que ser solidários durante o ano todo”, disse à Lusa.

Entre uma cabeleira e barbas brancas, Manuel Dias, 65 anos, apresenta-se como “o Pai Natal cá do sítio”, mas espera também em linha para receber um cabaz, enquanto descreve o trabalho da LBV como “muito importante”.

“Eu já não tinha nada para tachar”, disse à Lusa o reformado da construção civil, referindo a reforma de “400 e tal euros”, o facto “de ela não receber” e “as contas da água, gás, luz e renda” para pagar como o principal motivo que o leva a recorrer à ajuda da LBV.

“Se não fosse por eles o meu Natal ia ficar na penumbra”, asseverou.

Todas as famílias que se inscrevem na Legião da Boa Vontade têm de “passar por um processo de seleção”, em que somente após “uma reunião com uma assistente social, para verificar a situação de cada família e ver se realmente precisam de ajuda” é que passam a ser elegíveis para um cabaz de Natal ou outras assistências, frisou a colaboradora Eduarda Pereira.

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