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Aumento de mensalidades na Misericórdia de Montemor-o-Velho gera indignação de famílias

Notícias de Coimbra | 1 hora atrás em 14-01-2026

Chegaram à redação do Notícias de Coimbra várias denúncias e relatos de indignação de familiares de utentes da Santa Casa da Misericórdia de Montemor-o-Velho, na sequência de um aumento superior a 10% nas mensalidades, aplicado no início de 2026.

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Para muitas famílias, a decisão caiu como uma bomba — e é vista como um afastamento claro da missão histórica das Misericórdias.

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“Trabalharam a vida toda no campo, de sol a sol, e agora tratam-nos assim”, desabafa Manuel Ferreira, nome fictício, familiar de uma utente. “A reforma da minha mãe mal chega para os medicamentos. Este aumento é simplesmente incomportável.”

Segundo as denúncias recebidas pelo Notícias de Coimbra, o aumento das mensalidades não foi acompanhado por qualquer melhoria visível nos serviços prestados. “Não há mais cuidados, não há mais apoio, não há mais nada. Só há mais para pagar”, afirma Ana Rodrigues, também nome fictício, cuja avó é utente da instituição.

Num concelho maioritariamente rural e envelhecido como Montemor-o-Velho, a maioria dos utentes vive com reformas baixas, fruto de décadas de trabalho agrícola e precário. Para estas famílias, a atualização das pensões e os aumentos salariais anunciados ficam “muito longe” de compensar o acréscimo agora imposto.

A revolta agravou-se com a receção de uma notificação enviada pela instituição às famílias, na qual é referido que o não pagamento das mensalidades poderá levar à exclusão do utente ao fim de 90 dias.

“Isto é chantagem social”, acusa José Martins, nome fictício. “Estamos a falar de idosos frágeis, dependentes, pessoas que não têm alternativa”.

Para muitos familiares, esta posição é vista como incompatível com o espírito das Misericórdias, fundadas em 1498 precisamente para apoiar os mais pobres, os doentes e os desvalidos.

Solidariedade, humanismo, justiça social, ética e responsabilidade social são palavras repetidas nas mensagens que chegaram ao Notícias de Coimbra. Mas também são palavras que, segundo os denunciantes, “já não se refletem nas decisões da instituição”.

“Parece que se esqueceram de quem somos e de quem são os utentes”, lamenta uma filha de uma residente, que pediu anonimato. “Estas pessoas deram tudo o que tinham à terra e à comunidade. Agora são tratadas como números.”

Face à situação, as famílias deixam um apelo público à nova Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Montemor-o-Velho, pedindo sensibilidade, diálogo e a reavaliação urgente do aumento aplicado.

“Este foi um péssimo começo de ano para muitas famílias”, refere outro familiar. “Ainda vão a tempo de corrigir.”

O Notícias de Coimbra já contactou a Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Montemor-o-Velho, solicitando esclarecimentos sobre o aumento das mensalidades, os critérios adotados e a possibilidade de revisão da medida. Até ao momento, aguardamos resposta.

Veja os documentos enviados ao nosso jornal:

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