Saúde

Atenção: Mais de 60 mil portugueses diagnosticados com esta doença

Notícias de Coimbra | 1 hora atrás em 01-03-2026

Quase 8 em cada 10 pessoas (78%) inquiridas num estudo que envolveu cerca de 6.000 adultos de dez países, com mais de 50 anos e com uma doença crónica, temem o impacto da Zona no seu dia a dia, com 72% preocupados com a possibilidade de internamentos hospitalares prolongados. No entanto, mais de metade (54%) diz não ter tido uma conversa informada sobre o tema com o seu profissional de saúde.

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Os dados fazem parte de um inquérito realizado junto de um grupo particularmente vulnerável à doença (causada pela reativação do vírus varicela-zoster) e que apresentam uma maior probabilidade de enfrentar complicações mais graves associadas a este problema. 

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De acordo com o estudo, 42% dos que já tiveram Zona relatam dor intensa com impacto significativo no seu dia a dia, com um terço (33%) a confirmar que os impediu mesmo de trabalhar ou participar em eventos sociais. Números que confirmam a necessidade de mais educação e literacia sobre o risco e o impacto da Zona em adultos com 50 anos ou mais que vivem com determinadas doenças crónicas.

“Estes dados mostram-nos uma realidade preocupante: as pessoas, os doentes, sentem medo do impacto da Zona, mas continuam sem a informação necessária para agir. É urgente aumentar a literacia sobre a Zona para que possamos abordar a doença na consulta com o médico assistente e assumir decisões mais informadas, como prevenir através da vacinação”, afirma José Albino, representante do Movimento Doentes pela Vacinação – MOVA.

Globalmente, a Zona pode afetar até um em cada três adultos ao longo da vida2,4,5,6,7 e pode reativar-se de forma grave em adultos que vivem com doenças crónicas2,3, como doenças cardiovasculares, em que o risco é 34% superior, doença renal crónica (+29% de risco), diabetes (+38%) ou DPOC/asma (+41%). 

Apesar da preocupação dos inquiridos com as complicações graves associadas à Zona, o conhecimento sobre o tema não é muito: a associação entre uma imunidade reduzida, as doenças crónicas e a reativação do vírus é ainda bastante baixa. De facto, um em cada quatro (25%) acredita que a sua doença crónica não afeta o seu sistema imunitário, nem o risco de Zona, com quase metade (46%) a desconhecer que pode aumentar o risco de Zona grave.

Uma falta de conhecimento que se estende também a Portugal. Os dados de um inquérito realizado em 2025, que contou com a participação de pessoas com mais de 50 anos, mostrou que 40% não se consideram em risco de desenvolver Zona, com a maioria (63%) a confirmar a falta de conhecimento sobre o tema.

Isto apesar de, em apenas um ano – entre julho de 2023 e junho de 2024 -, 62.985 adultos portugueses terem sido diagnosticados com Zona, o que obrigou ao recurso aos cuidados de saúde na sequência deste problema, associado a um elevado impacto na qualidade de vida devido à dor intensa que provoca, podendo mesmo levar à perda de visão e a dificuldades motoras. 

A perceção de risco continua a ser muito inferior à realidade, o que ajuda a explicar o facto da Zona ser ainda subvalorizada, mesmo junto dos doentes crónicos. É fundamental investir em informação clara e acessível, especialmente junto destas pessoas mais vulneráveis. É igualmente imperativo que os doentes crónicos se vacinem“, sublinha José Albino.

Além do impacto na saúde, um episódio de Zona acarreta ainda um ónus económico para o Serviço Nacional de Saúde: o custo anual estimado da doença chega aos 10,2 milhões de euros em custos diretos (7,2 milhões) e indiretos, como o absentismo laboral, associado a um impacto superior a 2,4 milhões de euros por ano. 

A Zona não tem apenas impacto na condição geral da saúde do doente crónico, tem também consequências sociais e económicas relevantes. Reforçar a sensibilização e a prevenção é um investimento na saúde das pessoas, dos doentes crónicos e na sustentabilidade do sistema de saúde. Por isso, o MOVA defende a necessidade urgente da comparticipação da vacina para grupos de risco e que se minimize as desigualdades no acesso“, conclui.

Sobre a Zona: Sensação de formigueiro ou dor numa área da pele, dor de cabeça ou mal-estar geral são alguns dos primeiro sintomas de Zona, aos quais se costuma seguir uma erupção cutânea (vesículas ou bolhas) apenas de um lado do corpo, mais frequentemente no peito, abdómen ou rosto. E se, para alguns, os sintomas melhoram passadas algumas semanas, para outros a dor torna-se crónica, com complicações que podem durar meses ou até anos, sendo a mais comum a nevralgia pós-herpética, uma dor incapacitante. Alterações cutâneas, envolvimento ocular com possíveis complicações e problemas auditivos são outras manifestações importantes a considerar.

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