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Associação portuguesa abre salas de aula e acrescenta ensino secundário em Cabo Delgado

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A organização não-governamental (ONG) portuguesa Helpo entregou hoje seis salas de aula a uma comunidade de Cabo Delgado, norte de Moçambique, que passa assim a ter ensino secundário.

“Salaué neste momento já tem oitava classe”, graças a seis novas salas inauguradas com a presença de entidades oficiais “e no próximo ano vai ter nona classe”, explicou Carlos Almeida, coordenador da Helpo em Moçambique.

Ao lado, Mariana Basílio, 22 anos, mãe de duas crianças – um dos quais ao colo, com apenas 6 meses -, é o exemplo dos benefícios que este investimento traz.

Parou de estudar em 2016 porque tinha de percorrer 12 quilómetros até Metoro, onde funcionava o ensino secundário, mas hoje voltou a sentar-se numa carteira, reavivando o sonho de ser enfermeira.

“Vou continuar a estudar e peço aos outros que façam o mesmo”, disse, num apelo sorridente graças aos novos graus de ensino abertos na escola que já recebia crianças desde a primeira classe.

As seis salas representam um investimento de 6,5 milhões de meticais (cerca de 97 mil euros) proveniente das consignações de 0,5% do IRS pelos contribuintes portugueses.

São salas apetrechadas com 150 carteiras e incluem quatro sanitários, beneficiando cerca de 1.700 alunos numa escola com um total de 24 professores.

“Esta escola teve um aumento de cerca de 20% no número de alunos” por acolher deslocados oriundos dos distritos de Cabo Delgado afetados há quatro anos e meio por uma insurgência armada.

“Do nosso lado sentimos ainda mais força em continuar a apoiar esta comunidade”, sublinhou Carlos Almeida.

O governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo, cortou a fita e destacou a “qualidade da construção”, numa região frequentemente atingida por intempéries na estação das chuvas (entre outubro e abril).

A província de Cabo Delgado, é rica em gás natural, mas, aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista estado Islâmico.

Há 748 mil deslocados internos devido ao conflito, de acordo com a Organização Internacional das Migrações (OIM), e cerca de 4. 000 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED.

Uma ofensiva das tropas governamentais com apoio do Ruanda a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), permitiu recuperar zonas onde havia a presença de rebeldes, mas, a fuga destes tem provocado novos ataques noutros distritos usados como passagem ou refúgio temporário.

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