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Política

Associação 25 de Abril diz que Otelo Saraiva de Carvalho “serviu Portugal sem se servir”

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A Associação 25 de Abril recordou hoje o coronel Otelo Saraiva de Carvalho, considerado o estratega da revolução de 1974, que derrubou a ditadura em Portugal, como um homem que “serviu Portugal sem se servir”.

Em comunicado, a Associação presidida pelo tenente-coronel Vasco Lourenço – que assume ver “partir um grande amigo” – homenageia o “homem de enorme coragem e generosidade, sempre ao serviço dos seus ideais, com um coração onde cabiam, acima de tudo, os mais genuínos sentimentos da amizade”.

Convicta de que Otelo deixa “um legado que a memória dos portugueses não esquecerá”, a Associação – fundada em 1982 por oficiais dos quadros permanentes das forças armadas, mas hoje aberta a outros militares profissionais e civis – considera que o “país fica mais pobre” com a partida do Capitão de Abril.

A Associação recorda o papel de Otelo naquele “dia inicial, inteiro e limpo”, o 25 de Abril de 1974, ao liderar o Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas, “ação fundamental na vitória sobre uma ditadura de 48 anos que conduzira os portugueses ao obscurantismo, à guerra colonial e à pobreza”.

Sem dúvidas, a Associação, numa mensagem assinada por Vasco Lourenço, escreve: “Otelo ficará na História de Portugal como um dos principais Capitães de Abril.”

“Pessoalmente, vejo partir um grande Amigo, a quem envio um enorme abração de Abril! Até sempre, caro Otelo”, conclui Vasco Lourenço.

Otelo Saraiva de Carvalho morreu hoje de madrugada, aos 84 anos, no Hospital Militar, em Lisboa.

Nascido em 31 de agosto de 1936, em Lourenço Marques, atual Maputo, Moçambique, Otelo Nuno Romão Saraiva de Carvalho fez carreira militar desde os anos 1960 até ao pós-25 de Abril de 1974, incluindo uma comissão, durante a guerra colonial, na Guiné-Bissau, onde se cruzou com o general António de Spínola.

No Movimento das Forças Armadas (MFA), que derrubou a ditadura de Salazar e Caetano, foi ele o encarregado de elaborar o plano de operações militares e, daí, ser conhecido como estratega do 25 de Abril.

Depois do 25 de Abril, foi comandante do COPCON (Comando Operacional do Continente), durante o Processo Revolucionário em Curso (PREC), surgindo associado à chamada esquerda militar, mais radical, e foi candidato presidencial em 1976.

Na década de 1980, o seu nome surge associado às Forças Populares 25 de Abril (FP-25 de Abril), organização armada responsável por dezenas de atentados e 14 mortos, tendo sido condenado, em 1986, a 15 anos de prisão por associação terrorista. Em 1991, recebeu um indulto, tendo sido amnistiado cinco anos depois, uma decisão que levantou muita polémica na altura.

O corpo de Otelo Saraiva de Carvalho será velado na Igreja da Academia Militar (Lisboa), na terça-feira, e cremado no dia seguinte, quarta-feira.

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