Coimbra
Assembleia Municipal aprova orçamento 260 milhões para Coimbra em 2026
Imagem: Câmara Coimbra reprodução
A Assembleia Municipal aprovou hoje, por maioria, o orçamento da Câmara de Coimbra para 2026, que ascende a 260 milhões de euros (ME), e regista um crescimento de cerca de 11 ME face ao último ano.
O documento foi aprovado com 31 votos a favor (22 do PS, quatro ldo PSD, um do CDS-PP, dois do Livre e dois do PAN), seis contra (três do Chega, um do Nós Cidadão, um do BE e um da IL e 14 abstenções (sete do PSD, dois do CDS-PP, dois do NC, dois da CDU e um do PPM).
Já na semana passada, a proposta de orçamento municipal para 2026 tinha sido aprovada por maioria pelo executivo municipal, com os votos a favor da coligação Avançar Coimbra (PS/Livre/PAN), do Chega e as abstenções da Coligação Juntos Somos Coimbra (PPD-PSD/CDS-PP/IL/NC/PPM/VP/MPT).
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Na sua intervenção na sessão extraordinária da Assembleia Municipal, que decorreu esta tarde, a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, reiterou que o Orçamento para 2026 é de continuidade, servindo para dar seguimento a trabalhos e contratos, muitos deles plurianuais e com forte dependência de financiamento externo.
No entanto, frisou que o documento já começa a sinalizar o rumo estratégico que pretendem para Coimbra, indo “além do imediato” e demonstrando uma “visão de médio e longo prazo” para o concelho.
“Não se muda tudo de um dia para o outro, mas indica claramente para onde queremos ir”, referiu, acrescentando que o documento beneficia de um aumento das receitas fiscais, fruto do trabalho do anterior executivo, embora as despesas correntes tenham aumentado.
“O aumento de receita não permite investimento porque ele é consumido na despesa corrente. Em 2026 temos de fazer um esforço para obter novas fontes de financiamento para alimentar o investimento e irmos ao encontro do que são os objetivos deste executivo”, assinalou, deixando ainda a promessa de trabalhar de forma mais intensa com as freguesias, às quais irá atribuir um aumento na primeira retificação do orçamento.
Já o eleito do Chega Paulo Seco entendeu que o Orçamento revela uma gestão preocupante, dependência excessiva de fundos europeus e cortes nos recursos humanos.
No que toca às Grandes Opções do Plano (GOP), considerou que aparentam ter ambição, mas pecam pela falta de indicadores concretos.
Catarina Graveto, da IL, que é médica de profissão, disse que os documentos hoje votados indicam que “Coimbra padece de uma profunda anemia estratégica”.
“Num ano em que a receita de impostos diretos pesa uns expressivos 67 ME nos cofres municipais, este orçamento revela-se um exercício cinzento de manutenção do ‘status quo’. É um documento que insiste em adiar Coimbra em vez de a projetar”, argumentou.
A eleita do BE, Maria João Paixão, identificou nas GOP “uma falta de visão estratégica para adaptar a cidade a fenómenos climáticos extremos”, para além de medidas para a implementação de um plano municipal de ação climática.
“Seria interessante vermos neste orçamento um projeto integrado e holístico para a rearborização da cidade de Coimbra, que se tem tornado uma ilha de calor devido ao corte sistemático de árvores”, frisou, acrescentando ainda que o orçamento esqueceu as muitas famílias que vivem em vulnerabilidade energética.
Um dos três eleitos do Grupo Municipal Nós Cidadãos (NC) votou contra o Orçamento para 2026, não tendo realizado intervenção na sessão de Assembleia Municipal.
Já a eleita do mesmo grupo municipal Lúcia Santos mencionou que a visão estratégica apresentada “é ambiciosa e bem formulada” e, em muitos aspetos, consensual, porque visa “apoiar famílias, atrair investimento, criar emprego qualificado, qualificar o espaço público, apostar na mobilidade sustentável, reforçar a coesão social e afirmar Coimbra no plano nacional e internacional”.
No entanto, alegou que quando passam da visão à concretização orçamental, surgem “desalinhamentos que não podem ser ignorados”.
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