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As rapariguinhas dos shoppings dos anos 80 já são avós!

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Os proprietários de lojas nos centros comerciais construídos nas décadas de 1980 e 1990 em Coimbra queixam-se da falta de “lojas âncora” e do “excesso de grandes superfícies” na cidade.

“Antes, isto era um movimento doido e agora é um deserto, só com lojas fechadas”, contou José Cunha, empregado de um quiosque no 1.º andar do Centro Comercial Avenida, apontando para o placar do rés-do-chão que anuncia as lojas e que “agora tem lá tão poucas placas”.

O empregado, de 66 anos, a viver há 42 anos em Coimbra, garantiu que “está sempre a piorar e mesmo sem crise notava-se que as pessoas nem vêm para dentro” dos centros comerciais.

“Quando abriu o Dolce Vita e o Fórum Coimbra, fecharam os cinemas e eram os cinemas que alavancavam o Avenida”, contou Arlindo Coelho, administrador do edifício, informando que a taxa de ocupação é de cerca de 60%, “quando, até 2005 [ano de inauguração do Dolce Vita], estava perto dos 100%”.

O centro comercial Golden, segundo Gonçalo Matos, um dos proprietários de um café no edifício, “mudou muito” e que “a sorte do café é ter clientes fiéis”.

“Começou a entrar em decadência quando abriu o centro comercial Avenida. Depois, nasceu o Fórum e tirou o que restava”, disse Gonçalo Matos à agência Lusa, constatando que, “apesar das rendas serem mais baixas uns 50%, as lojitas que para aí vêm morrem logo à nascença”.

Maria de Clara Andrade “resiste” nas Galerias Topázio, onde está há 12 anos, observando que no rés-do-chão estão “pouco mais” do que cinco lojas, “um deserto” que considera ser “a realidade de todos estes centros comerciais”.

A proprietária de uma loja de tapetes afirma que, “mesmo com as rendas a baixarem dos 400 euros para os 100 euros, não vem para cá ninguém”.

Carlos Pinto, administrador das galerias, informou que “95% das lojas estão fechadas”, contestando a construção de “grandes centros comerciais, como o Dolce Vita, o Fórum e o Coimbra Shopping”, e afirmando que “essa é a crise” e que “três centros é um exagero para uma cidade tão pequena”.

“Temos o Parque Verde, os bares à beira-rio, a portagem aqui perto, e mesmo assim as pessoas fogem e as lojas fecham umas atrás das outras”, comenta Carlos Pinto.

Carlos Pinto defendeu “a necessidade de se abrir alguma grande loja para agarrar as pessoas a este espaço”.

João Tavares, administrador do Centro Comercial Sofia, partilha da opinião de Carlos Pinto, apesar de considerar que as “pessoas estão deprimidas, sem capacidade para novos negócios e novas perspetivas”.

João Tavares disse à agência Lusa que o centro comercial está “quase 100% ocupado”. Contudo, garante que “foi necessário baixar as rendas em 30% para manter as lojas abertas”.

Marisa Gaspar saiu do Centro Comercial Tropical, em Celas, “que era uma autêntica pasmaceira”, para o Gira-Solum, onde confia que irá permanecer: “se já está de pé há quase 30 anos, dificilmente vai abaixo agora”.

“Isto, dantes, era um mar de gente, mas continua agradável”, observou Helena Colaço, proprietária de um pronto-a-vestir, que considera que “faltou coragem aos comerciantes quando abriu o Dolce Vita”. Afirma que “o maior abalo foi o fecho do cinema”: “as pessoas aproveitavam os intervalos para ver as montras”.

“O Gira continua a ser o melhor centro e será muito difícil sair daqui. Precisamos é de uma âncora, de algo que movimente gente”.

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