Dois lagares de produção de azeite do período romano, até agora desconhecidos em Portugal, foram descobertos por arqueólogos durante escavações que decorrem desde 2022 e que são retomadas na segunda-feira na Lourinhã, foi hoje anunciado.
Os trabalhos arqueológicos no sítio de São Lourenço dos Francos permitiram identificar e escavar “duas estruturas de lagar amovíveis, com mais de um metro de diâmetro, que seriam prensas para extrair o azeite”, afirmou à agência Lusa Gerardo Vidal Gonçalves, arqueólogo que coordenada as escavações.
“Não há qualquer informação científica publicada até agora da existência destas estruturas em sítios da época romana em Portugal”, explicou o também investigador da Universidade de Évora, sublinhando a importância do achado arqueológico.
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Foram também já encontrados fragmentos de loiça utilitária, como potes, taças e pratas, pesos de tear, uma moeda do imperador romano Valentiniano II, datada de finais do século IV depois de Cristo, e quatro estruturas equivalentes a habitações.
“O facto de serem referentes à ocupação romana, significa que o sítio teria sido abandonado e não voltou a ser ocupado”, acrescentou.
A igreja de São Lourenço dos Francos, monumento do século XVI contíguo ao sítio arqueológico, possui no seu interior duas lápides da época romana dedicadas a Júlia Máxima e Caio Júlio Lauro, já conhecidas desde os anos 70 do século XX.
No âmbito do projeto de investigação que decorre desde 2022 e se prolonga até 2026, as escavações vão ser retomadas entre 01 e 12 de setembro, com o objetivo de colocar a descoberto as estruturas habitacionais identificadas e alargar a área do sítio já escavada.
A equipa de arqueólogos é constituída ainda por Dina Pereira e Martina Barada (Universidade de Pula, Croácia), auxiliadas por seis voluntários e alunos das Universidades de Coimbra e do Porto.
Além da Universidade de Évora, o projeto conta com colaborações da EROS Environment Research on Science Consulting, da Universidade da Extremadura e da Universidade de Pula, entre outras instituições.
O sítio arqueológico é o único no concelho da Lourinhã associado à ocupação romana e um dos poucos sítios a nível nacional onde os investigadores estão a proceder à digitalização dos achados e a criar um museu virtual.
Além as escavações, a equipa vai este ano colocar códigos de leitura QR Code para ‘tablets’ e ‘smartphones’ para visitas virtuais ao sítio, com explicação dos elementos mais importantes através de um guia virtual, utilizando as novas tecnologias da informação e digitalização.
A equipa vai ainda organizar, no dia 10, uma oficina de arqueologia prática.
O projeto é promovido pelo Município da Lourinhã e pela freguesia de Miragaia e Marteleira.
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