Região

Arganil quer classificar Torre da Paz. Foi inaugurada no fim da II Guerra Mundial

Notícias de Coimbra | 52 minutos atrás em 08-04-2026

A Câmara de Arganil iniciou hoje o processo de classificação como monumento de interesse municipal da Torre da Paz, na Benfeita, que tocou pela primeira vez no fim da II Guerra Mundial.

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Aquela torre de xisto começou por se chamar Torre de Salazar, mas após o 25 de Abril passou a designar-se Torre da Paz, tendo o seu sino tocado pela primeira vez a 07 de maio de 1945, no dia em que acabou a II Guerra Mundial na Europa, com a rendição dos alemães às tropas russas.

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A Câmara de Arganil, no interior do distrito de Coimbra, avançou com o início do processo de classificação, com publicação hoje em Diário da República, procurando preservar aquele monumento e a zona envolvente.

“É uma torre muito simbólica não apenas para a História de Benfeita mas para o concelho de Arganil. Assinalou o armistício na Europa e é um edifício marcante e com uma envolvente interessante”, disse à agência Lusa o presidente da Câmara de Arganil, Luís Paulo Costa.

Para o autarca, este procedimento ganha outro simbolismo numa altura em que o mundo vive “sobressaltado” com conflitos e guerras, considerando que a Torre da Paz também é uma recordação do que “foi conquistado e que não fica assegurado eternamente”.

Segundo Luís Paulo Costa, a história da Torre da Paz “tem as suas particularidades”, referindo que a sua construção se deve à família Mathias, de Benfeita, nomeadamente Mário Mathias, advogado que regressou a Benfeita após carreira em Lisboa, e irmão de Leonardo Mathias, diplomata que ajudou a trazer Galouste Gulbenkian para Portugal e que foi ministro dos Negócios Estrangeiros de Salazar.

“A Torre, tal como a Ponte 25 de Abril, teve o nome de Salazar. Deu-se a circunstância de ficar pronta no dia do armistício e rapidamente assumiu nova designação”, conta.

O seu sino tem até uma inscrição, onde se lê que tocou “pela primeira vez a anunciar o fim da guerra da Europa em 1945”.

Atualmente, cumpre-se a tradição de tocar 1.620 badaladas a 07 de maio, que apesar de se referir que seria o número de dias que durou a Segunda Guerra Mundial (o número é superior), Luís Paulo Costa acredita que fará mais sentido corresponderem aos dias em que Portugal esteve envolvido na Primeira Guerra Mundial.

“É uma história com muitas particularidades”, notou.

À agência Lusa, o presidente da Junta de Freguesia da Benfeita, José Gonçalves Pinheiro, diz que já “há uns bons anos” que o sino toca sempre 1.620 badaladas a 07 de maio, o que dura cerca de três horas.

“A própria máquina, quando chega àquela data, encarrega-se de fazer o serviço, mas a corda é manual, é tudo manual. Temos de ir lá destravar o mecanismo para dar 1.620 badaladas. E temos de dar corda três vezes para dar as 1.620 badaladas”, disse.

Para o autarca, o dia 07 de maio é sempre um dia especial em Benfeita, esperando que o cessar-fogo agora anunciado na guerra no Irão se transforme em paz.

“Esperemos que nesse dia [07 de maio] em que voltamos a tocar o sino, esteja tudo normalizado e não haja guerra”, disse José Gonçalves Pinheiro.

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