Primeira Página
“Aquilo que temia, o pior, aconteceu”: Ereira transformou-se numa “ilha” e vai estar assim “alguns dias”
A freguesia da Ereira, em Montemor-o-Velho, encontra-se praticamente isolada devido à subida do nível das águas do rio Mondego, numa situação que está a preocupar as autoridades locais.
O acesso à localidade é, para já, feito apenas através de viaturas de grande porte, como os veículos dos Bombeiros Voluntários de Montemor-o-Velho, que têm garantido o abastecimento essencial à população.
PUBLICIDADE
A deslocação ao local foi acompanhada pelo presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, José Veríssimo, que reconheceu a gravidade do cenário. “Aquilo que temia, o pior, aconteceu. São situações que partem o coração de qualquer pessoa. É uma situação de angústia”, afirmou o autarca.
Apesar da dimensão das cheias, José Veríssimo sublinha que o município atuou de forma preventiva. “Temos a consciência tranquila porque fizemos o que era possível: avisámos as pessoas atempadamente e criámos todas as condições para que tenham o mínimo necessário para o dia-a-dia”, explicou.
Segundo o presidente da autarquia, a Ereira é atualmente um dos pontos mais críticos do concelho. “Esta freguesia está toda ela cercada por água. Neste momento é, literalmente, uma ilha”, referiu, acrescentando que no terreno estão assegurados todos os meios de apoio à população.
Outras zonas do concelho começam também a merecer atenção, nomeadamente a União de Freguesias de Montemor-o-Velho, embora a situação esteja a ser atenuada pela descida controlada das barragens.
“Estamos a lidar com uma cheia programada e lenta, o que nos dá tempo para atuar quando necessário”, destacou José Veríssimo.
De acordo com o autarca, a evolução da situação dependerá ainda da entrada das águas do Ega e do Arunca, fatores que influenciam diretamente o nível do Mondego. Questionado sobre a duração do isolamento, admite que a situação poderá prolongar-se. “Esperamos que não seja muito tempo, mas provavelmente a Ereira vai manter-se isolada durante mais alguns dias”, disse.
No terreno, já foram efetuadas entregas de alimentos e bens essenciais à população, operação assegurada pelos bombeiros. Os barcos dos fuzileiros da Marinha ainda não foram ativados para esta zona, uma vez que os meios terrestres têm sido suficientes.
A população recorda que uma situação semelhante ocorreu há cerca de 25 anos, mas desta vez sente-se mais preparada. Desta feita, os avisos começaram a ser feitos com cerca de uma semana de antecedência, permitindo que os residentes se organizassem para enfrentar vários dias de isolamento, enquanto se aguarda a descida das águas e o restabelecimento da normalidade.