A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) afirmou hoje que associar o assoreamento da barra do porto da Figueira da Foz às dragagens da obra de transposição de três milhões de metros cúbicos (m3) de areias é pura especulação.
“Qualquer associação entre um possível assoreamento da barra e as dragagens efetuadas a norte do respetivo molhe é, além de injustificada, puramente especulativa”, observou a APA, em comunicado enviado à agência Lusa.
Sobre o incidente do navio cargueiro Eikborg, que alegadamente terá batido no fundo e perdido o leme, ficando à deriva, quando saía do porto comercial, a APA esclareceu que “segundo as informações disponíveis até ao momento, não está identificada a origem do problema que afeta a embarcação”.
“Desta forma, considera-se absolutamente extemporâneo o estabelecimento de qualquer relação de causalidade entre um eventual assoreamento da barra da Figueira da Foz e a avaria registada”, vincou a autoridade ambiental.
“Importa sublinhar que, independentemente desse nexo causal, não estabelecido até ao momento, o assoreamento da barra configura um fenómeno recorrente, particularmente frequente durante o ‘inverno marítimo’, na sequência de eventos de tempestade sucessivos”, adianta a nota, constatando que a zona da embocadura e canal da barra “revelam, ciclicamente, uma elevada dinâmica sedimentar”.
Ainda segundo a APA, as referidas dragagens da obra de transposição de areias “decorrem de estudos e projetos com sólida fundamentação científica e rigorosa avaliação de impacto ambiental, acautelando todas as dinâmicas inerentes à migração sedimentar”.
O navio cargueiro Eikborg, com bandeira dos Países Baixos, seis tripulantes e que transporta 3.300 toneladas de pasta de papel, ficou hoje à deriva, sem leme, à saída da barra da Figueira da Foz, no litoral do distrito de Coimbra.