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Política

António Costa numa campanha intensa que termina em “sprint” a lutar pela vitória

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O secretário-geral do PS iniciou a campanha eleitoral com o objetivo da maioria absoluta, pedindo estabilidade governativa e a penalização de quem abriu uma crise política “absolutamente impensável”, e termina-a agora ao “sprint” a lutar pela vitória.

Entre os principais dirigentes socialistas, a leitura que se faz do cenário eleitoral de domingo próximo é unânime: Verifica-se uma bipolarização política e um equilíbrio nas intenções de voto entre PS e PSD.

Já no início de dezembro, quando o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, marcou oficialmente as eleições legislativas antecipadas para 30 de janeiro, a direção do PS admitia que a conjuntura política do país apresentava fatores adversos para o partido.

Nas eleições autárquicas, tinha-se assistido a um relativo crescimento dos partidos à direita dos socialistas, muitos eleitores com mais de 60 anos – a faixa etária considerada mais favorável ao PS – não saíram de casa para votar aparentemente com medo da covid-19. E havia também já então a perceção de que o esperado “passa-culpas” político sobre as causas do fim da solução de Governo acabasse por penalizar todos os partidos da “Geringonça”.

Porém, já no início deste mês, o otimismo instalou-se na caravana dos socialistas. Terminada a longa série de debates televisivos, começaram a sair sondagens que indiciavam um triunfo por larga margem do PS face ao PSD, e que a maioria absoluta, com um novo salto, até poderia estar ao alcance dos socialistas.

António Costa iniciou então o périplo pelo país com o objetivo de explicar que uma maioria absoluta do PS não era um papão e que Portugal precisava mesmo desta vez de um Governo para quatro anos.

Para afastar os receios de um poder absoluto de um só partido, no comício de Faro, no passado dia 19, argumentou que um Presidente da República vindo do centro-direita nunca que deixaria o Governo pisar o risco, que Portugal dispunha de uma comunicação social fiscalizadora e invocou a sua experiência enquanto presidente da Câmara de Lisboa, onde disse que governou em diálogo com outros partidos mesmo tendo maioria absoluta.

Em paralelo, visou o Bloco de Esquerda e o PCP ao classificar como “absolutamente imperdoável” a decisão de chumbarem o Orçamento para 2022, abrindo uma crise política numa conjuntura de pandemia da covid-19. Segundo António Costa, ao contrário do que aconteceu em 2019, em relação à nova legislatura não estavam reunidas as condições de confiança para uma reedição da “Geringonça”. A única solução que considerava viável era a maioria absoluta.

Dois dias depois, no sábado passado, com a caravana socialista a percorrer os distritos da Guarda e Castelo Branco, saíram os primeiros estudos de opinião a apontarem para a possibilidade de vitória do PSD. O objetivo da maioria absoluta não mais foi referido nas intervenções do secretário-geral do PS.

Na segunda-feira, em entrevista à Radio Renascença, António Costa assumiu que os portugueses “não têm um grande amor por soluções de maioria absoluta” e adiantou que, se for reconduzido no cargo de primeiro-ministro vai dialogar com todos os partidos, menos com o Chega.

Com a entrada na reta final da campanha, o secretário-geral socialista procurou acentuar clivagens entre os modelos do PS e do PSD, sobretudo no domínio da Segurança Social: “O PSD quer um sistema misto, entregando parte das contribuições ao jogo do mercado”; com o PS, “haverá um aumento extraordinário das pensões com efeitos retroativos a janeiro”. Um apelo ao eleitorado mais idoso para que no domingo saia de casa e vá votar.

António Costa insistiu também na acusação de que o PSD está a encobrir a sua intenção de pôr a classe média a pagar no Serviço Nacional de Saúde e que a prioridade deste partido é a redução do IRC das empresas, enquanto o PS no Governo baixa já o IRS em 2022.

António Costa foi ainda buscar declarações em que Rui Rio se opôs em 2020 ao aumento do salário mínimo para colá-lo a um modelo económico de baixos salários.

No plano político, nos últimos comícios, os socialistas tentaram igualmente desmontar a imagem de Rui Rio nesta campanha, usando a seguinte ideia: “Diz umas graçolas, anda sempre sorridente, mas esconde o seu verdadeiro programa e é igual a Passos Coelho”.

 Do ponto de vista mediático, as ações de campanha do PS estão quase sempre centradas na figura de António Costa.

Em Aveiro, na terça-feira à noite, que foi até agora o maior comício do PS, Costa partilhou as atenções do palco de oradores com outro dirigente: Pedro Nuno Santos, apontado como potencial sucessor do atual secretário-geral.

Na quarta-feira, em Almada, esteve o antigo candidato presidencial Sampaio da Nóvoa. Hoje, em Lisboa, discursará Manuel Alegre e na sexta-feira, no comício do Porto, será a ver do atual do ex-eurodeputado e presidente da Conselho Económico e Social, Francisco Assis.

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