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Anozero: “O Fantasma da Liberdade” é o título da bienal de arte de Coimbra em 2024

Notícias de Coimbra | 3 meses atrás em 05-12-2023

A edição de 2024 da bienal de arte contemporânea de Coimbra Anozero terá como título “O Fantasma da Liberdade”, num programa que procura ir para lá dos 50 anos do 25 de Abril, afirmou hoje a equipa curatorial.

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“[O 25 de Abril] pode funcionar como um gatilho, como uma maneira de iniciar uma pesquisa, mas que não se esgota nessa data e que vai para além disso”, disse à agência Lusa Marta Mestre, responsável pela curadoria da quinta edição da bienal Anozero, a par do espanhol Ángel Calvo Ulloa.

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Para a edição de 2024, que vai decorrer de 06 de abril a 30 de junho, a equipa curatorial escolheu um título “muito ambíguo, polissémico”, que dá azo a “diferentes tipos de leitura”, salientou Marta Mestre, referindo que o tema é também o nome de um filme do realizador Luis Buñuel, que, por coincidência, saiu também em 1974, ano da Revolução dos Cravos.

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“Há nexos discursos e poéticos que nos interessam explorar, nomeadamente essa relação daquilo que é da ordem do fantasmático com a história”, salientou a curadora.

Segundo Marta Mestre, esta não será uma bienal “sobre o 25 de Abril”, mas que procura ir para lá de uma ideia celebratória e pensar e refletir sobre a liberdade.

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“O fantasma é aquele que não se vê ao espelho, aquele que vagueia, aquele que paira sobre as cidades. Se formos mais 50 anos para trás, temos os 100 anos do manifesto surrealista e esta ideia de revoluções imaginadas, seja através da poesia seja da real existência da sociedade”, vincou.

Para Ángel Calvo Ulloa, a equipa quis criar “um espaço de liberdade para que os trabalhos dos artistas tenham autonomia”, acreditando que algumas obras irão tocar, “de forma mais ou menos evidente, a questão revolucionária”.

“Entendemos que o momento em que vivemos não vem com promessas que a humanidade tentou criar. A ideia de futuro parece algo como um caminho que no fim tem um muro”, notou.

Apesar de não deixar de lado o peso do 25 de Abril, a equipa pretende que se pense na liberdade que, também ela própria, pode ter virado “um fantasma, que é usada por todas as cores políticas, onde até a extrema-direita consegue usar e mexer nessa palavra e nesse conceito”, afirmou o curador espanhol.

De acordo com Marta Mestre, haverá uma forte incidência de produções artísticas “localizadas no Sul global”, expandindo a própria noção desse conceito para ir além “do mero cliché”.

Para além dos dois curadores, a Anozero de 2024 conta também com um conselho curatorial, composto pelo diretor artístico do Instituto Moreira Salles (Brasil) e ex-diretor adjunto do Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia (Espanha), João Fernandes, e pela arquiteta e curadora que ganhou o Leão de Ouro pela participação nacional de Angola na 55.ª Bienal de Veneza, em 2013, Paula Nascimento.

A bienal terá como epicentro o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, mas serão também ocupados outros espaços da cidade, como os dois locais do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC), o Jardim Botânico ou o Colégio das Artes.

A Anozero é uma organização do CAPC, em parceria com a Câmara Municipal de Coimbra e a Universidade de Coimbra.

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