A crença de que a anemia pode evoluir para leucemia continua a gerar dúvidas entre muitas pessoas, mas trata-se de um mito, garante a hematologista clínica Cátia Lino Gaspar. Segundo a especialista, a anemia não origina leucemia, embora possa ser um sintoma da doença.
“A anemia é uma consequência da alteração da função medular, uma vez que esta se encontra doente”, explica a médica. Nos doentes com leucemia, a medula óssea é infiltrada por células leucémicas, o que compromete a produção normal dos glóbulos vermelhos e conduz ao desenvolvimento de anemia.
Ou seja, a leucemia pode causar anemia, mas o inverso não acontece.
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A anemia é, aliás, uma condição frequente em doentes oncológicos. De acordo com um artigo publicado na Revista Cuidarte, até 70% dos pacientes com cancro apresentam anemia em alguma fase da doença ou do tratamento, sobretudo durante a quimioterapia, devido à toxicidade associada. A incidência e gravidade variam consoante o tipo de tumor, a idade do doente, o estadio da doença e a intensidade do tratamento, refere também um estudo da Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia.
Os sintomas da anemia e da leucemia podem ser muito semelhantes, incluindo palidez, cansaço, fraqueza, dores musculares e falta de energia, o que torna difícil distinguir as duas condições apenas com base nos sinais clínicos.
Existem vários tipos de leucemia, divididos de forma simplificada em agudas e crónicas. As leucemias agudas desenvolvem-se rapidamente e são consideradas graves, enquanto as crónicas têm uma evolução mais lenta, podendo permitir longos períodos sem necessidade de tratamento.
Também a anemia pode assumir diferentes formas, sendo classificada como hereditária — causada por mutações genéticas — ou adquirida ao longo da vida, de acordo com o Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Tanto a anemia como a leucemia podem ser inicialmente detetadas através de análises ao sangue. No entanto, para confirmar um diagnóstico de leucemia é necessário realizar um estudo da medula óssea, através de um mielograma.
O tratamento da anemia passa, na maioria dos casos, por suplementação de ferro, vitamina B12 ou ácido fólico, dependendo da causa. Já o tratamento da leucemia é mais complexo e envolve, regra geral, quimioimunoterapia.
“Tratar a anemia significa tratar a sua causa”, sublinha Cátia Lino Gaspar. Se a anemia resultar de uma leucemia, o tratamento deverá focar-se na doença oncológica. Se, por outro lado, for provocada por perdas de ferro associadas a hemorragias digestivas, o tratamento passa pela correção da lesão e pela suplementação adequada, pode ler-se no Polígrafo.
A especialista reforça ainda que tratar a anemia não reduz o risco de desenvolver leucemia, uma vez que este está associado a outros fatores, como exposição prévia à radiação, tratamentos oncológicos anteriores ou alterações genéticas adquiridas.
O esclarecimento foi desenvolvido no âmbito do projeto editorial “Vital”, do Viral Check e do Polígrafo, com o apoio da Fundação Champalimaud, que não assume responsabilidade pelos conteúdos produzidos.
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