Política

André Ventura perdeu Belém mas teve melhor resultado de sempre e já pensa em governar

Notícias de Coimbra com Lusa | 2 horas atrás em 09-02-2026

O líder do Chega, André Ventura, saiu derrotado da segunda volta das eleições presidenciais, mas conseguiu o melhor resultado de todas as vezes que foi a votos, e disse estar no “caminho para governar o país”.

Numa altura em que ainda estão por apurar 20 freguesias e sete consulados, o candidato presidencial obteve mais de um milhão e 700 mil votos, equivalente a 33,18%, saindo derrotado face aos 66,82% obtidos pelo adversário António José Seguro.

André Ventura reconheceu a derrota, mas considerou que, com este resultado, os portugueses o colocaram “no caminho para governar o país”.

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“Acho que a mensagem dos portugueses foi clara: lideramos a direita em Portugal, lideramos o espaço da direita em Portugal e vamos em breve governar este país”, advogou no discurso desta noite.

O candidato usou vários números para sustentar esta tese, comparando eleições diferentes, desde logo este ter sido o melhor resultado eleitoral da história do Chega, fundado em 2019, ultrapassando em cerca de 300 mil os votos conquistados pelo partido nas legislativas de 2025.

Face à primeira volta das eleições presidenciais, de 18 de janeiro, André Ventura viu o seu resultado reforçado em cerca de 400 mil boletins.

Nesta segunda volta, o líder do Chega conseguiu ainda superar a percentagem da Aliança Democrática (AD), coligação PSD/CDS que sustenta o Governo, nas últimas legislativas, argumento que utilizou para se voltar a autoproclamar novo líder da direita.

“O resultado de hoje, ao mesmo tempo que consagrou um novo Presidente da República, deu-nos um enorme estímulo para trabalhar, para continuarmos a trabalhar nesse projeto que é transformar Portugal”, defendeu. 

Contudo, não conseguiu ultrapassar a coligação em votos absolutos: a AD conquistou um milhão e novecentos mil votos nas últimas legislativas, mais duzentos mil do que o resultado do líder do Chega esta noite.

No discurso desta noite, Ventura revelou ter ligado a Seguro para lhe desejar “um grande mandato” e, momentos depois, em declarações aos jornalistas, manifestou-se confiante de que existem “todas as condições” para uma “boa cooperação” com o antigo líder socialista, apesar de todas as críticas que lhe apontou durante a campanha.

Depois de uma segunda volta marcada pelas tempestades que assolaram o país e que levaram o candidato a centrar as suas ações nas consequências da intempérie, o tema ficou de fora do discurso final de Ventura, que chegou a propor o adiamento das eleições a nível nacional, apelo que foi rejeitado, até pelo Presidente da República, por falta de enquadramento legal.

Ainda assim, várias localidades onde foi decretada a situação de calamidade, pediram o adiamento do sufrágio para o próximo domingo.

Durante as últimas duas semanas, e à boleia da tempestade, André Ventura virou as atenções sobretudo para o Governo, com várias críticas à gestão dos efeitos do mau tempo.

O líder do Chega, que chegou a ser acusado por António José Seguro de estar na eleição errada, volta agora a ter os olhos postos em São Bento.

Estas foram as segundas eleições presidenciais a que André Ventura se apresentou. A primeira vez que concorreu a Belém foi em 2021, numa altura em que era deputado único pelo Chega na Assembleia da República, e conquistou 496 mil votos, tendo ficado em terceiro lugar atrás de Marcelo Rebelo de Sousa e da socialista Ana Gomes.