André Ventura passou no domingo à segunda volta das eleições presidenciais, mas falhou o objetivo do primeiro lugar, tendo mais do que duplicado o resultado de há cinco anos, mas diminuído o número de votos face às legislativas.
“A 18 de janeiro, Ventura em primeiro”, cantou-se ao longo da campanha do presidente do Chega, que sempre apontou para uma vitória, por “larguíssima margem”, na primeira volta da corrida a Belém.
Apesar disso, à chegada ao hotel Marriott, em Lisboa, André Ventura encontrou razões para festejar, reclamando para si a liderança da direita, ideia que reforçou no discurso final da noite.
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“A direita fragmentou-se como nunca, mas os portugueses deram-nos a liderança dessa direita em Portugal”, afirmou, após os resultados terem indicado que passou a uma segunda volta contra o ex-líder do PS, António José Seguro.
Foi precisamente aos eleitores que rejeitam o socialismo que Ventura apelou, avisando que a direita só não vencerá a segunda volta “por egoísmo do PSD e da Iniciativa Liberal”, depois de o primeiro-ministro e líder social-democrata, Luís Montenegro, ter afirmado que o seu partido não emitirá nenhuma indicação de voto.
Ventura já tinha antecipado este cenário durante a campanha, começando por remeter para “a consciência” do presidente do PSD um eventual apoio à sua candidatura contra Seguro.
Uns dias depois, disse não querer o seu apoio e, num jantar-comício em Coimbra, foi mais longe, desafiando Luís Marques Mendes e João Cotrim de Figueiredo a dizer “que se lixe” o social-democrata.
No último dia de campanha, Ventura disse apenas esperar que os líderes do PSD e da IL não obstaculizassem uma vitória sua que impedisse o socialismo de regressar ao Palácio de Belém.
Nas eleições presidenciais de 2021, André Ventura – na altura deputado único pelo Chega na Assembleia da República – conquistou 496 mil votos, tendo ficado em terceiro lugar atrás de Marcelo Rebelo de Sousa e da socialista Ana Gomes.
Hoje, o candidato a Belém apoiado pelo Chega – partido que entretanto já tem 60 deputados no parlamento – mais do que duplicou a sua votação, tendo alcançado perto de um milhão e trezentos mil votos.
Apesar desse resultado há cinco anos, Ventura não conseguiu alcançar o número de votos do Chega nas legislativas de 2025, nas quais o partido que lidera obteve cerca de um milhão e quatrocentos mil votos.
Interrogado pelos jornalistas, à saída da noite eleitoral sobre o objetivo que tinha traçado de ficar à frente na primeira volta, Ventura rejeitou admitir qualquer falha na meta: “Se isto não é objetivo cumprido, meu Deus, então eu não sei o que é que seria um objetivo cumprido”, afirmou.
O objetivo de Ventura é agora outro: “agregar a direita”.
Apesar disso, no discurso final da noite de domingo, não dispensou ataques a João Cotrim de Figueiredo (apoiado pela IL) e Luís Marques Mendes (PSD e CDS-PP) e manteve as bandeiras anti-imigração e nacionalistas que foram pontuando os discursos da sua campanha.
Na reta final da primeira volta, Ventura fez o seu maior discurso de campanha e vincou que não ia à segunda volta para agradar a todos, avisando: “Eu disse ao que vinha”.
“Não vou procurar pôr toda a gente contente, não vou para dizer que o preto é branco e o branco é preto. […] Vou dizer ao país que é preciso ordem, que têm de deixar de viver de subsídios, que impostos têm de baixar e que temos de ser um país cristão, de valores cristãos, e de valores europeus”, defendeu.
No meio desse discurso final de campanha, insistiu na ideia de três Salazares (numa referência ao antigo ditador português), mas achou que “um André Ventura” irá bastar “para pôr o país na ordem”.
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