O candidato presidencial André Pestana defendeu hoje que uma das soluções para a saúde passa por deixar de transferir metade do orçamento anual de 17 mil milhões de euros para os privados e reforçar o investimento no SNS.
Ao assinalar que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) possui um orçamento de 17 mil milhões de euros por ano, o candidato vincou ser imperativo que metade desse montante deixe de ir “para os grupos privados da saúde” e para o lucro dos mesmos.
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“O SNS não pode continuar a ter metade do orçamento da saúde para grupos privados da saúde, alimentando-se do lucro. Esse dinheiro deve ser investido para valorizar as carreiras de todos que trabalham” no setor público e para reforçar os meios de socorro, preconizou o sindicalista, em declarações junto à Unidade Local de Saúde de Coimbra.
Através do reforço do investimento no SNS seria possível melhorar as carreiras dos profissionais e ter, por exemplo, melhores ambulâncias, sem ter de esperar dois anos por elas, realçou André Pestana, numa referência ao anúncio de quinta-feira do primeiro-ministro de que o Governo PSD/CDS-PP tinha aprovado a aquisição de novas 275 viaturas para o INEM.
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, disse hoje que Luís Montenegro “esqueceu-se de dizer, ou omitiu, que esse concurso foi uma decisão de uma resolução do Conselho de Ministros de 2023″, aprovada pelo Governo socialista.
André Pestana foi também questionado sobre se considerava oportuno o Conselho de Estado ter decorrido hoje, poucos dias antes das presidenciais agendadas para 18 deste mês, ao que respondeu que, “acima de tudo, não é isso que preocupa os portugueses”.
“O que preocupa os portugueses é assistir, infelizmente, que tivemos agora três pessoas que morreram por não ter assistência”, devido a alegados atrasos na chegada dos meios do INEM, salientou.
“Em 2008, rapidamente o Governo arranjou milhares de milhões de euros para ajudar os banqueiros. Em 2024, rapidamente arranjaram milhares de milhões de euros para alimentar a indústria do armamento. Mas depois, para problemas muito concretos das populações, como a saúde, a escola pública ou os problemas da justiça, o que acontece? Nós temos sempre uma grande lentidão e depois mortes atrás de mortes ou as populações a serem prejudicadas”, declarou.
Concorrem às eleições presidenciais 11 candidatos, um número recorde, e a campanha eleitoral decorre até 16 de janeiro.
Os candidatos são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.
Esta é a 11.ª eleição, em democracia, desde 1976, para o Presidente da República.
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