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Desporto

Andaram 50 dias à boleia para apoiar Portugal no Qatar

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Quatro portugueses quiseram desafiar-se a si próprios e viajaram à boleia durante 50 dias rumo ao Qatar, ultrapassando algumas “tormentas” para chegarem a “bom porto” e apoiarem a seleção nacional no Mundial de futebol.

Enquanto a seleção ‘afinava a máquina’ para a estreia no Mundial2022 no centro de treinos de Al-Shahaniya, Daniel, Bruno e Duarte eram bravos resistentes no exterior do recinto, à espera de poderem ver os jogadores lusos e, finalmente, consumarem o objetivo que os tinha levado a fazer 8.000 quilómetros e a atravessar 15 países dentro do carro de perfeitos desconhecidos.

Francisco chegaria mais tarde ao local, porque tinha ido “tratar de uma publicação” com desejo de boa sorte a Cristiano Ronaldo, que queriam se tornasse viral.

“Foi uma viagem bastante longa, porque escolhemos a maneira mais difícil de chegar aqui, que foi com o polegar levantado [sinal de pedido de boleia] nas estradas, à espera que as pessoas nos dessem boleia até ao Qatar”, disse Duarte Delgado à agência Lusa.

A viagem começou em 06 de outubro, numa estação de combustível da Segunda Circular, em Lisboa, passou pela Guarda e iria levá-los até Salamanca, mas, só de uma vez, foi até Toulouse, e logo com um prenúncio de que iriam conseguir chegar ao Qatar: “O rapaz que nos deu boleia até Toulouse chama-se Cristiano, por isso é um nome abençoado”.

Portugal, Espanha, França, Itália, Croácia, Macedónia do Norte, Albânia, Montenegro, Bulgária, Turquia, Jordânia ou Arábia Saudita foram alguns dos países por que passaram, dando ‘asas’ a um plano idealizado por Daniel e Francisco, que gostam de ter “ideias mirabolantes”.

“Esta ideia surgiu entre mim e o Francisco, que temos um canal no Youtube. Surgiu esta ideia de juntarmos o Mundial às boleias, que é algo que ainda não é muito comum em Portugal. Decidimos vir de boleia até ao Qatar para desejar sorte ao Ronaldo. Foi o querer apoiar a seleção em pessoa e fazê-lo com a maior aventura e da forma que poderia ser a mais económica (…), mas acaba por não ser, porque são 50 dias”, explicou Daniel Estima, natural da freguesia de Macinhata do Vouga, em Aveiro.

Sem plano e na base do “improviso” se foi fazendo a viagem, cada um munido da sua mochila e com um elemento crucial numa bagagem quando se pede boleia na estrada: um cartaz, com a inscrição do destino: “Qatar”.

“Esteve sempre dentro da minha mochila, porque só o utilizámos nos dois primeiros dias. Agora, só falta mesmo que o Cristiano Ronaldo assine este cartaz. Somos quatro e não vamos poder manter o cartaz entre nós. Não vamos cortá-lo ao meio, nem vai andar em casa de cada um de semana em semana. Gostávamos de doar este cartaz, que é algo simbólico, a uma ONG [organização não-governamental] que trabalhe com refugiados. Foi aquilo que mais nos marcou e acreditamos que alguém vai dar valor a este cartaz”, partilhou o lisboeta Duarte Delgado.

O caminho chegou a ser “sinuoso”, sobretudo “na fronteira entre a Europa e a Ásia, nomeadamente na Bulgária e na Turquia”, explicou Duarte, por se tratar “de uma zona de migrantes económicos, mas também dos refugiados que vêm do Afeganistão e da Síria”.

“Naquela zona não existem muitas pessoas a pedir boleias, muito menos com mochilas grandes como as nossas. Passámos por refugiados sírios e os locais não estavam a querer ajudar-nos, não nos davam boleia. Ali, quem ajudar refugiados pode apanhar até seis anos de prisão. A partir do momento em que mostrávamos à polícia o nosso passaporte, tudo ficava bem”, referiu Duarte.

Sem boleia para sair daquela zona, os quatro amigos ficaram “a dormir numa tenda de uns habitantes locais no meio do mato”, quando “no lusco-fusco”, ao final da tarde, sentiram aquele que foi, provavelmente, o susto de uma vida.

“Do meio do nada, aparecem três civis armados e com cães, a pedirem para sairmos da tenda, a tentarem perceber quem nós éramos. Achavam que éramos refugiados”, prosseguiu Duarte, revelando que o passaporte português foi o que lhes valeu: “Felizmente, como temos um passaporte português, tudo acabou bem, mas ficámos a questionar o que teria acontecido se não tivéssemos o nosso passaporte”.

Com bilhete garantido apenas para o primeiro encontro de Portugal, com o Gana, hoje, os amigos ainda esperam “apanhar boleia de alguém para dentro do estádio” do segundo encontro, com o Uruguai, na segunda-feira.

E quando finalizarem o périplo, uma coisa é certa para o famalicense Bruno Carvalho: “O regresso é feito de avião”.

Francisco Albuquerque chegaria ao centro de Al-Shahaniya a tempo de assistir à passagem do autocarro da seleção aquando da saída do centro de treinos, já depois de ter divulgado a publicação que todos eles esperam se torne viral. Juntamente com os três amigos, ainda viu Cristiano Ronaldo acenar-lhes do interior da viatura.

por Marco Oliva (texto) e José Sena Goulão (foto), enviados da agência Lusa

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