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Andámos numa viatura descaracterizada da GNR de Coimbra e mostramos-lhe como funciona (com vídeos)

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O Notícias de Coimbra acompanhou uma patrulha da Guarda Nacional Republicana (GNR) no interior de uma viatura descaracterizada. Em poucos minutos foram detetadas duas condutoras ao telemóvel e um condutor alegadamente sem cinto que conseguiu escapar.

Um carro de alta cilindrada, “à paisana” é uma das ferramentas à disposição dos militares do Destacamento de Trânsito da GNR de Coimbra no trabalho de prevenção e fiscalização rodoviária que diariamente fazem na sua área de intervenção. “Possuímos  vários tipos de viatura, entre os quais descaracterizadas, ou seja, que não apresentam qualquer caraterização relacionada com a GNR”, começou por explicar ao NDC o Tenente Diogo Ferreira. Seguimos num automóvel conhecido como Provida por estar equipado com um radar de controlo de velocidade com o mesmo nome.

Este automóvel é usado “no patrulhamento diário com um objetivo diferente, para a deteção de determinado tipo de infrações”, revela Diogo Ferreira, indicando que as mais frequentes são a condução fazendo uso do telemóvel e sem cinto de segurança ou sistema de retenção para crianças. “Esta viatura em particular está também equipada com um cinemómetro de perseguição, vulgo radar, pelo que é utilizada também para o controlo de velocidade nas nossas estradas”, adiantou. 

A viatura-radar, como é apelidada, é sempre usada, no mínimo, por dois militares: um conduz e o outro é o operador do cinemómetro e está atento a todo o tipo de infrações. No caso da patrulha acompanhada pelo NDC o condutor é um cabo com 17 anos de serviço e ao lado segue um sargento com 18 anos de Guarda. 

Em menos de seis minutos de viagem, é detetada a primeira infração. Entrámos na Estrada Nacional 111, na direção Coimbra – Figueira da Foz. “Telemóvel!”, disse o sargento num tom rápido e assertivo. Sem mais palavras, o cabo sinaliza a mudança de direção e carrega no acelerador para apanhar a infratora. Em menos de 30 segundos, a condutora recebe indicações para encostar na berma. A abordagem é rápida. No porta bagagens do veículo BMW funciona uma espécie de escritório ambulante e é ali que são tratadas as burocracias inerentes aos autos.

Em pouco tempo estamos de novo na estrada, o sargento segura nas pernas um computador que ajuda à tarefa de perceber se os seguros estão em dia. “Cinto!”, ouve-se no interior no carro. “Pode ter isenção”, alerta o cabo enquanto se prepara para fazer inversão de marcha. “Saiu de São Silvestre para entrar em São João do Campo e facilitou”, comentou o sargento, revelando que muitas das infrações são situações deste género. “É sempre só um bocadinho, é só esta vez…”, diz com a certeza de quem está tarimbado nestas lides. 

Apesar de a velocidade ser alta, a patrulha perdeu de vista o condutor que, ao que tudo indica, conduzia sem cinto. “É mesmo assim, nem sempre conseguimos abordar os condutores”, justifica o Tenente Diogo Ferreira. Por pouco, este infrator não entrou para a contabilidade da operação “RoadPol – Seatbel”, direcionada para a a utilização de cintos de segurança e sistemas de retenção de crianças  em todo o território nacional continental. Na semana de 4 a 10 de abril, a GNR fiscalizou 17158 condutores e registou 646 autos de contraordenação, dos quais 557 por falta ou incorreta utilização do cinto de segurança e 89 por falta ou incorreta utilização do cinto de segurança e/ou sistema de retenção por crianças.

Em menos de cinco minutos, nova abordagem. “Aquela condutora está ao telemóvel. Parece-me que baixou. Não, continua. Vamos”, diz o sargento que funciona como uma espécie de copiloto nesta equipa de dois.  “Observamos e escolhemos sempre o melhor momento e local para se fazer a abordagem em segurança”, explicam ao NDC para justificar a perseguição que entretanto iniciaram. A condutora, sem se aperceber que está a ser seguida, continua ao telemóvel.

Avelina Baltazar acaba intercetada mais à frente. Aceitou falar para o NDC, reconhecendo que agiu mal. “Atendi o telemóvel no carro. Foi merecido”, disse. Do outro lado era o filho que tinha partido um pé na escola e estava à espera dela, conta. Questionada sobre o que pensa deste tipo de ações de fiscalização responde: “acho bem, só não deviam andar nestes carros, mas é para segurança de nós todos”. 

O objetivo de se recorrer a uma viatura descaraterizada é, segundo Diogo Ferreira, “perceber as infrações que as pessoas praticam sem que elas se apercebam da presença dos militares, porque muitas vezes quando dão conta de uma viatura identificada as pessoas cessam a infração”.  

A multa no caso de Avelina Baltazar foi de 250 euros. “É um valor muito elevado”, considera a condutora. “Queremos sempre acreditar, quando estamos a parar e a autuar as pessoas, que estamos a contribuir para se evitar um mal maior. Esta senhora podia ter um acidente ali mais à frente, podia ficar ferida, ferir alguém ou até algo pior”, alerta o sargento.

É esse espírito de missão que mantem alerta este cabo e sargento da GNR de Coimbra, iguais a tantos outros que diariamente patrulham as estradas portuguesas, com a certeza de que quase nunca são bem vistos, mas cumprem o seu dever.

Veja o direto NDC com a identificação de um condutor ao telemóvel:

Veja o direto NDC com Avelina Baltazar, condutora autuada:

Veja o direto NDC no interior do veículo Provida da GNR de Coimbra:

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