Os autarcas que assistiram hoje, na Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã, à apresentação do protótipo Citilink aplaudiram os resultados do projeto e esperam que seja implementado para lá dos municípios piloto onde foi testado.
Os municípios podem carregar as suas atas com as decisões dos executivos, que são tratadas através de inteligência artificial, tornando-se de fácil acesso, podendo ser pesquisadas por temas ou palavras-chave. Além do programa também indicar a composição do executivo e o sentido de voto de cada partido, o objeto da pesquisa é resumido usando uma linguagem clara para cidadãos, jornalistas e decisores políticos.
O projeto foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), reunindo docentes, investigadores e estudantes da UBI, da Universidade do Porto e do INESC TEC. O site do Citilink está disponível e, para já, conta com informação dos municípios da Covilhã e Fundão (distrito de Castelo Branco), Alandroal (Évora), Campo Maior (Portalegre), Guimarães (Braga) e Porto.
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Segundo o coordenador do projeto e docente da UBI, Ricardo Campos, os modelos permitem identificar os participantes das reuniões, as posições assumidas e transforma “textos longos e técnicos em informação estruturada e concisa, facilitando a compreensão do que foi discutido e decidido”.
Maria Manuel Leitão Marques, antiga ministra da Modernização Administrativa, responsável por projetos como o Simplex ou o Cartão de Cidadão, considerou que “se não houver iniciativas e projetos como este a soberania digital que tanto se fala não terá conteúdo”.
Mas, a agora presidente da Assembleia Municipal de Coimbra, lembra que este não é um trabalho fácil pois “é como um puzzle que nunca se acaba”, pois “tentarmos parar o desenvolvimento tecnológico e a digitalização é como tentar parar o vento com as mãos”.
Sublinha que “tudo o que sirva para reforçar a participação cívica merece ter investimento” e “o nível local é onde se conseguem mais resultados”.
Maria Manuel Leitão Marques aponta também as dificuldades na fase seguinte: “o conseguir passar o vale da morte, ou seja, entre a criação da tecnologia e a sua adoção”.
Considera que “a comunicação é fundamental para resistir, porque não há vacinas para tal. A vacina para resistir são os cidadãos”, dando o exemplo do Cartão de Cidadão que vingou por ser usado por todos.
“O Citilink é notável”, afirma, defendendo que, para ter continuidade, “deveria ser a Associação Nacional de Municípios Portugueses ou as Comunidades Intermunicipais a adotar esta plataforma, porque apesar das diferenças e da diversidade de municípios, o problema das atas é de todos”.
A agora autarca deixou ainda uma sugestão à equipa do projeto, a de pensarem como se pode atuar “no antes, ajudando a agilizar a transcrição das atas, que levam sempre muito tempo”.
Os autarcas Hélio Fazendeiro, João Grilo, Luís Rosinha, presidentes das câmaras da Covilhã, Alandroal e Campo Maior, respetivamente, e Isabel Ferreira, vereadora de Guimarães, corroboraram as palavras de Maria Manuel Marques, concordando que esta plataforma democratiza o acesso à informação dos municípios, mas alertam para os territórios, onde pela dimensão, ou pela idade, nem todos os cidadãos estão familiarizados com as novas tecnologias e são unânimes a afirmar que “ninguém deve ficar para trás”.
Catarina Fonseca, jornalista e coordenadora executiva do canal Conta Lá Centro, também elogiou a plataforma. “Quando percebi como era a plataforma, a imagem que me veio à cabeça foi a de estarmos habituados a estar perante uma porta, com diferentes fechaduras e um chaveiro com muitas chaves, que temos de ir tentando para conseguir abrir, mas o Citilink vem dar-nos o pé-de-cabra, porque encurta o tempo de pesquisa que, por vezes os jornalistas não têm, além de permitir uma melhor seleção da informação pretendida, mais fidedigna e mais credível”.
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