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Alunos brasileiros em Coimbra são de uma classe “cada vez mais alta” 

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O presidente da Associação de Pesquisadores e Estudantes Brasileiros em Coimbra (APEB) disse hoje que os alunos do Brasil na Universidade de Coimbra são de uma classe social “cada vez mais alta”, pelos custos cambiais e pela propina internacional.

“É claro que o público brasileiro que consegue vir estudar na Universidade de Coimbra é um público de classe média alta e cada vez mais alta com o passar do tempo, por conta diferença do câmbio e tudo o mais. Então o povo que sofreu com o colonialismo [no Brasil] não tem acesso a essa instituição aqui”, afirmou Felippe Vaz, numa entrevista à Lusa, a propósito dos 200 anos da independência do Brasil e da ligação daquele estabelecimento do ensino superior português à efeméride.

Por isso, “o número de estudantes negros em Coimbra é mínimo”, apontou. “Então, existe ainda um caminho a ser trabalhado”, referiu aquele responsável.

Mas, “não é só aqui. Também no Brasil. Se você pega a foto dos formandos de um curso de medicina, por exemplo, vê que maioritariamente são brancos”, reforçou.

Em Coimbra, acresce aos custos cambiais o da propina internacional, a “principal reclamação” dos estudantes brasileiros, e, por consequência da associação.

Segundo Fellippe Vaz, aquela propina, que custa 7.000 euros, tem um valor muito elevado, pelo que é um problema que a associação tem vindo a discutir com a universidade, mas que ainda não está resolvido.

Segundo o presidente da APEB, a universidade tem manifestado abertura para o diálogo sobre este assunto, mas até que este se resolva, a propina “deixa o estudo cada vez mais elitista, levando um público que vem para cá não só pela sua capacidade académica, mas pelo poder financeiro”, defendeu.

Apesar disto, considerou que na maioria dos casos as coisas correm bem com os estudantes brasileiros, embora sempre “com uma grande diferença entre o sonho e a realidade”. Uma realidade universitária que esperavam de maior proximidade com os professores, porque, no Brasil “estão habituados a ter um contacto mais próximo com o professor”.

Quanto à relação Portugal-Brasil, Felippe Vaz considerou que “é muito positiva, muito pacífica e de cooperação”.

“O acordo e cooperação de estudo entre o Brasil e Portugal é um grande exemplo disso, dessa interculturalidade entre os estudantes. E isso é muito positivo”, afirmou.

Mas num olhar sobre a história, considerou que nas relações entre os dois países é preciso analisar “situações problemáticas do passado em relação ao colonialismo ou à exploração”, defendendo que é preciso “caminhar para a frente vendo como se pode melhorar a perspetiva daqueles que passaram por isso”.

“Eu acho que isso tem acontecido em passos pequenos, mas tem acontecido, e a aproximação entre o Brasil e Portugal, nos últimos anos, tem sido um grande exemplo disso”.

“A gente vê que há essa vontade de trabalhar em conjunto, porque no fundo somos nações muito unidas historicamente. Então a gente espera que isso se promova por muitos anos para a frente”, acrescentou, referindo que as comemorações do bicentenário podem “reaproximar ainda mais” os dois países.

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