Com a previsão de condições meteorológicas severas para os próximos dias, as autoridades locais e os agentes de proteção civil alertaram para o aumento significativo do risco de cheias na bacia do Rio Mondego, especialmente nos concelhos de Coimbra, Montemor-o-Velho, Soure e Figueira da Foz.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) anunciou que a região enfrentará precipitação intensa entre domingo, dia 1 de fevereiro, e o final da próxima semana.
Durante uma conferência de imprensa, a Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, sublinhou que a situação é “grave, mas controlada”. Ela afirma que as zonas mais vulneráveis, como Cabouco, Docas, Parque Verde, Mosteiro de Santa Clara e outras áreas adjacentes às margens do Rio Mondego, poderão ser seriamente afetadas pelas cheias previstas.
A autarca destacou que o principal objetivo é “evitar danos pessoais, garantindo a segurança de todos”.
“Sabemos que não há risco zero. A pressão sobre as margens será significativa”, afirmou a Presidente. indicando que a barragem de Agueira já está a operar a pleno rendimento, com um caudal de 1.600 metros cúbicos por segundo a ser descarregado para tentar suportar o volume de precipitação que se avizinha.
“O importante agora é que as pessoas estejam alertas e preparadas para reagir rapidamente”, reforçou.
Helena Teodósio, Presidente da CIM Região de Coimbra afirmou que a região, em particular a Bacia do Mondego, está sob vigilância absoluta, alertando para a saturação do solo devido às chuvas dos últimos dias.
“Nos próximos dias, a maior preocupação recai sobre os concelhos do Baixo Mondego. Já existem inundações em campos agrícolas e algumas infraestruturas viárias, mas a situação poderá agravar-se”, alertou.
A Comissão Distrital está em estreita coordenação com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e com as autarquias afetadas. A preocupação, como mencionou a presidente, é o aumento do caudal dos rios e a capacidade limitada das infraestruturas existentes para resistir ao volume de água esperado.
Em relação à segurança, as autoridades apelam à população para monitorizar constantemente a situação e não se aventurarem em zonas de risco. O Município de Coimbra e outras localidades afetadas têm ativado planos de emergência e estão em contacto com os serviços de transporte e evacuação.
Em paralelo, diversas entidades de apoio, como a GNR, Bombeiros e os Serviços Municipais de Proteção Civil, estão a trabalhar em conjunto para coordenar as evacuações e garantir a segurança de todos. A Marinha Portuguesa já mobilizou 24 fuzileiros com seis botes, que vão ser distribuídos pelas zonas mais afetadas, como Coimbra, Montemor-o-Velho e Soure.
“Embora a nossa maior preocupação esteja centrada no Baixo Mondego, estamos também atentos a outras áreas como a Figueira da Foz e as zonas ribeirinhas do Alva e Ceira”, explicou Helena Teodósio.
Os responsáveis apelaram também à população para que se prepare adequadamente. “É sempre bom ter um kit de emergência em casa: rádios a pilha, conservas, garrafas de água, e telemóveis carregados”.
A crise já está a afetar os agricultores da região. O Vale do Mondego, conhecido pela sua produção agrícola, especialmente nas zonas de Montemor-o-Velho e Soure, está a ser severamente impactado pelas inundações. As cheias controladas e a saturação dos solos já causaram danos nas culturas.