Fama

ALEXANDRA LENCASTRE REVELA: “ESTIVE ÀS PORTAS DA MORTE COM COVID”

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 60 minutos atrás em 30-01-2026

Alexandra Lencastre está de regresso ao teatro com a peça “A Gaivota”, de Anton Tchékhov, em cena no Teatro da Trindade, em Lisboa, com encenação de Diogo Infante.

PUBLICIDADE

publicidade

A atriz, de 60 anos — atualmente também em exibição na novela “Amor à Prova”, da TVI — dá vida a Irina Arkadina, uma personagem exigente e distante, bem diferente da sua forma de estar.

Curiosamente, o texto não é novo no percurso da atriz. Em 1992, integrou a mesma obra com o grupo Teatro Hoje, mas então no papel da jovem Nina, aspirante a atriz. Três décadas depois, regressa ao universo de Tchékhov com uma leitura totalmente distinta.

“É-me difícil fazer a personagem, porque eu sou o oposto desta mulher. Sou maternal, gosto de tomar conta dos outros, gosto de tocar e de beijar”, confessou à revista Boa Onda.

Sobre o processo de construção da personagem, destaca o papel do encenador.

“O Diogo teve de ter mão dura, de ser contundente comigo, para que eu lá chegasse. Mas acredito que, como todas as vilãs que tenho feito, acabarei por desenvolver ternura por esta Arkadina.”

Entre a primeira e a atual participação em A Gaivota, Alexandra Lencastre diz que “cabe o mundo inteiro”. Recorda o início dos anos 90 como um período de forte reconhecimento, seguido de fases mais difíceis.

“Posteriormente, passei por momentos menos bons, em que sentia rejeição e ficava sem vontade de sair de casa, paralisada.”

Um dos períodos mais duros terá ocorrido entre 2020 e 2024, durante a sua passagem pela SIC, marcado pela pandemia e por problemas de saúde graves.

“A pandemia deitou por terra três dos projetos em que eu estava envolvida. Fiquei sem trabalho. Depois, fiquei doente. Eu ia morrendo com a Covid, o que não foi divulgado — a estação escondeu a informação, para me proteger.”

A atriz diz que essa fase gerou mal‑entendidos públicos.

“Acabei por ficar com fama de ser desistente, de falhar à última da hora… Isto quando estava numa cama de hospital.”

O regresso à TVI marca, segundo a própria, uma fase mais estável e feliz, apesar de reconhecer que nem todos os projetos tiveram o impacto esperado.

“O projeto não correu bem, a nível da receção pública, mas eu adorei fazer essa novela”, disse, sobre A Protegida.

Mesmo com quatro décadas de trabalho em televisão, mantém o entusiasmo pelas telenovelas.

“Os atores são musculados nas novelas. Mesmo obrigados a trabalhar muito, com muita pressão… É bom. Faz-nos crescer.”

A nova estreia em palco acontece após a morte do pai, em junho do ano passado — uma perda que assume ainda estar a processar. Vive atualmente com a mãe, que sofre de Alzheimer.

“Para mim, nada é a mesma coisa. Mesmo estrear esta peça, sem ele, não é a mesma coisa. Acho que um dia vou acordar e vou-me sentir melhor. Só não sei quando…”

Em cena no Trindade, Alexandra Lencastre contracena também com a filha Margarida Bakker, num regresso aos clássicos que cruza maturidade artística com forte carga emocional.