Circula nas redes sociais e em manchetes de sites de lifestyle a afirmação de que comer torradas muito queimadas aumenta significativamente o risco de desenvolver doenças graves. No entanto, especialistas em nutrição e saúde dizem que a questão é mais complexa do que simplista.
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Quando alimentos ricos em amido, como o pão, são submetidos a temperaturas muito altas — como numa torradeira ou forno — forma‑se uma substância chamada acrilamida. Esta substância também pode surgir em batatas fritas, chips e outros alimentos ricos em amido cozinhados a altas temperaturas.
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A acrilamida tem sido classificada por algumas agências como um possível agente carcinogénico em animais, com estudos laboratoriais mostrando efeitos negativos em tecidos de animais expostos a doses elevadas da substância.
Segundo várias instituições de saúde, não existe evidência científica forte e consistente de que comer torradas queimadas habitualmente cause diretamente doenças graves no ser humano. Estudos epidemiológicos de grande escala não encontraram uma ligação clara entre a ingestão de acrilamida através dos alimentos e ocorrências de doenças em pessoas.
Organizações como o Cancer Research UK afirmam que, embora a acrilamida seja uma preocupação de saúde nas experiências em animais, os níveis que uma pessoa normalmente consome numa dieta habitual parecem ser baixos e não comprovadamente ligados a um risco aumentado significativo para a saúde.
Especialistas em nutrição sugerem que optar por tostar o pão até um cor de dourado claro reduz a formação de acrilamida. Manter uma dieta equilibrada e diversificada é mais importante para a saúde a longo prazo do que evitar ocasionalmente alimentos ligeiramente queimados. Evitar alimentos queimados com frequência extrema ou em grandes quantidades pode ser uma medida prudente até que mais pesquisas estejam disponíveis.
Embora seja verdade que o processo de queimar alimentos cria compostos químicos que levantam questões de saúde, a evidência atual não estabelece que comer torradas queimadas em si seja uma causa comprovada de doenças graves em humanos. Manter uma alimentação saudável e equilibrada continua a ser a recomendação central dos especialistas.
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