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Agricultura(s) a minha vida! O livro “sem papas na língua”

Susana Brás | 11 minutos atrás em 23-02-2026

O livro “Agriculturas, a minha vida — Reflexões críticas na imprensa”, de José Martino, foi apresentado esta segunda-feira, 23 de fevereiro, em Coimbra e trouxe para o centro do debate aquilo que, segundo o autor, está a ficar na periferia do país: o mundo rural.

Engenheiro agrónomo de profissão, José Martino decidiu reunir num só volume as crónicas que foi escrevendo ao longo de 2024 e 2025. Textos publicados semanalmente no Vida Económica e, pontualmente, noutros jornais nacionais. Mas o que leva um engenheiro agrónomo a escrever um livro?

“A tentar mudar a sociedade, construir cidadania ativa através da análise dos problemas da agricultura, das florestas e do mundo rural”, explicou o autor. E acrescentou: “Quando escrevemos, somos obrigados a ser mais eficazes nas propostas.”

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Sem rodeios nem diplomacias excessivas, Martino assume que não foge a temas incómodos. “Não fujo a temas polémicos, aqueles que não são politicamente corretos. Também mexo nesses e faço propostas para que os políticos possam agir e defender melhor o interesse público”, afirmou.

“Quero que o livro sirva como alavanca para que nós, cidadãos, tenhamos opinião e façamos com que os políticos melhorem as suas ações”, disse.

“O livro centra-se nas regiões de baixa densidade, onde a agricultura e as florestas são determinantes. Mesmo em muitos concelhos urbanos, a parte rural já está abandonada”, sublinhou. A mensagem é clara: o território precisa de equilíbrio.

O jornalista Amadeu Araújo, responsável pela edição, assumiu que o desafio foi grande. “O que o Martino diz, as ideias que tem e que concretiza no terreno, são pertinentes. É uma voz consensual na lavoura”, explicou. Ainda assim, editar pensamento crítico nunca é um exercício neutro.

“Temas como o ordenamento do território ou investir mais nos frutos vermelhos e menos nos cereais geram debate. Mas é um desafio que se aceita com gratidão”, afirmou. E reconhece: “Não deixa de ser um negócio com riscos, mas o contributo deste pensamento para a sociedade portuguesa é muito positivo.”

Entre as dificuldades do processo editorial, destaca o design e a produção gráfica. “O design é sempre complexo. Depois há a negociação com a gráfica, os prazos, as vendas online e a expedição. É um pacote completo.” Esta é a sua estreia como editor — e já há mais três livros na calha.

A apresentação contou também com a presença do Secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira.
O livro pode ser adquirido online através do site armazemdodao.pt, com entrega ao domicílio.