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Agricultores do Baixo Mondego alertam. “O Rio Velho precisa urgentemente de limpeza”
Os agricultores do Baixo Mondego mostram-se preocupados com os efeitos do mau tempo que tem atingido a região, provocando a inundação de terrenos agrícolas e atrasos significativos nas culturas.
A situação, considerada recorrente, volta a levantar alertas sobre a necessidade de intervenções estruturais, nomeadamente a limpeza do chamado “Rio Velho”, apontado como essencial para melhorar o escoamento das águas.
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Gonçalo Silva, agricultor da região, descreve um cenário difícil no terreno. “Os nossos terrenos estão completamente alagados. A chuva não tem parado e os caudais têm aumentado bastante”, afirmou, sublinhando que a drenagem dos solos poderá demorar mais de um mês.
Segundo explica, este atraso terá impacto direto no calendário agrícola, com culturas como o milho, o arroz e a batata a chegarem mais tarde ao mercado.
O agricultor destaca ainda que os prejuízos vão além da perda de tempo de cultivo. “Há danos graves que não são visíveis, como o desnivelamento dos terrenos. A água corrente destrói o trabalho de nivelamento que fazemos e isso representa custos acrescidos”, referiu.
Estes custos, segundo os produtores, serão difíceis de compensar através da venda dos produtos agrícolas.
Apesar das dificuldades, os agricultores reconhecem o trabalho das autoridades na gestão das cheias. Gonçalo Silva considera que a atuação das entidades responsáveis tem permitido manter a situação controlada. “Tem sido uma cheia controlada. É um mal necessário, mas a gestão tem sido bem feita, com descargas graduais”, afirmou.
No entanto, os produtores insistem que há problemas estruturais que continuam por resolver. Entre eles, a limpeza do Rio Velho surge como prioridade. “Se estivesse limpo, podia levar muito mais água e ajudar a aliviar o caudal principal do Mondego”, defende o agricultor, acrescentando que estas questões só ganham visibilidade em períodos de cheia, sendo depois esquecidas durante anos.
A preocupação estende-se também às populações e infraestruturas locais. Há receio de que o aumento do caudal possa afetar zonas habitacionais, além de provocar danos nos diques e nas vias agrícolas. “Os diques foram feitos para aguentar determinado caudal, mas neste momento já foi ultrapassado. Vai haver roturas e depois custos de reparação”, alertou.
Além dos impactos imediatos, os agricultores acompanham com apreensão as previsões meteorológicas. Está previsto novo agravamento do estado do tempo nos próximos dias, o que poderá agravar ainda mais a situação. “Temos passado dias e noites em sobressalto. Temos tratores, alfaias e animais para proteger. E os próximos dias não parecem trazer descanso”, afirmou Gonçalo Silva.
Os produtores alertam que os efeitos destas cheias poderão chegar também aos consumidores, através do aumento dos preços de alguns produtos agrícolas. Entre as culturas mais afetadas estão a batata, o arroz e o milho, pilares da produção agrícola da região do Baixo Mondego.
Enquanto aguardam melhorias nas condições meteorológicas, os agricultores defendem que é essencial avançar com medidas estruturais para reduzir o impacto de futuras cheias e proteger a atividade agrícola da região.