Mais de 1 300 pessoas no estado de Vitória (Austrália) juntaram-se a uma ação coletiva contra a empresa Johnson & Johnson, alegando que os seus produtos em pó de talco provocaram cancro do ovário, mesotelioma (um tipo de cancro dos pulmões) e outros cancros do sistema reprodutor.
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Isto segue vários processos judiciais semelhantes no Reino Unido e nos Estados Unidos, incluindo um caso em que a Johnson & Johnson foi obrigada em 2025 a pagar 40 milhões de dólares a duas mulheres que afirmaram que o pó de talco lhes causou cancro e que não foram devidamente avisadas sobre os riscos.
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O talco é um mineral natural extraído em várias partes do mundo. As pessoas podem entrar em contacto com ele durante a extração e processamento, aplicações industriais, e, mais frequentemente, através do uso em cosméticos e pós corporais.
É comum as pessoas aplicarem talco na zona genital para absorver humidade, reduzir fricção ou para suavizar a pele. Também é usado em maquilhagem para dar acabamento suave à pele.
Especialistas continuam a estudar até que ponto o talco pode estar ligado a cancros. A evidência científica atual sugere que pode haver uma relação com dois tipos de cancro:
- Cancro do pulmão: O risco está relacionado principalmente com a inalação de partículas de talco, algo mais provável em exposições ocupacionais (por exemplo, trabalhadores que manipulam o pó sem proteção). Quando os produtos cosméticos são usados de forma normal, não há provas claras de que causem cancro do pulmão, porque normalmente não se aspiram partículas em quantidade suficiente.
- Cancro do ovário: Alguns estudos em humanos encontraram uma ligação entre o uso regular de pó de talco na zona genital e um risco ligeiramente maior de alguns tipos de cancro do ovário. No entanto, outras pesquisas não encontraram essa ligação, e os cientistas ainda discutem se a associação é causal ou se pode estar relacionada com outros fatores.
Estudos que analisaram outros tipos de cancro ginecológico, como câncer uterino ou cervical, não mostraram uma ligação clara com o talco.
O talco e o amianto (uma fibra natural cancerígena) ocorrem frequentemente próximos uns dos outros na natureza — e pode haver contaminação do talco com amianto durante a mineração.
Essa contaminação é relevante porque o amianto está claramente ligado ao cancro dos pulmões e a outras doenças graves, o que complica a interpretação dos estudos que analisam os efeitos do talco.
Em 2024, a Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizou a sua avaliação e classificou o talco como “provavelmente cancerígeno” para os seres humanos — o segundo nível mais alto de risco de cancro — com base em estudos em animais e algumas evidências em humanos.
Isto não prova definitivamente que o uso normal de produtos com talco causa cancro, mas indica que existe um risco potencial que ainda não está completamente esclarecido.
Se estás preocupado com o risco, algumas evidências médicas sugerem que pode fazer sentido reduzir ou evitar o uso de pós com talco, especialmente em áreas sensíveis, até que haja mais clareza científica.
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