Saúde

Afinal, o pó de talco faz bem ou mal à saúde?

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 2 horas atrás em 03-03-2026

Mais de 1 300 pessoas no estado de Vitória (Austrália) juntaram-se a uma ação coletiva contra a empresa Johnson & Johnson, alegando que os seus produtos em pó de talco provocaram cancro do ovário, mesotelioma (um tipo de cancro dos pulmões) e outros cancros do sistema reprodutor.

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Isto segue vários processos judiciais semelhantes no Reino Unido e nos Estados Unidos, incluindo um caso em que a Johnson & Johnson foi obrigada em 2025 a pagar 40 milhões de dólares a duas mulheres que afirmaram que o pó de talco lhes causou cancro e que não foram devidamente avisadas sobre os riscos.

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O talco é um mineral natural extraído em várias partes do mundo. As pessoas podem entrar em contacto com ele durante a extração e processamento, aplicações industriais, e, mais frequentemente, através do uso em cosméticos e pós corporais.

É comum as pessoas aplicarem talco na zona genital para absorver humidade, reduzir fricção ou para suavizar a pele. Também é usado em maquilhagem para dar acabamento suave à pele.

Especialistas continuam a estudar até que ponto o talco pode estar ligado a cancros. A evidência científica atual sugere que pode haver uma relação com dois tipos de cancro:

  1. Cancro do pulmão: O risco está relacionado principalmente com a inalação de partículas de talco, algo mais provável em exposições ocupacionais (por exemplo, trabalhadores que manipulam o pó sem proteção). Quando os produtos cosméticos são usados de forma normal, não há provas claras de que causem cancro do pulmão, porque normalmente não se aspiram partículas em quantidade suficiente.
  2. Cancro do ovário: Alguns estudos em humanos encontraram uma ligação entre o uso regular de pó de talco na zona genital e um risco ligeiramente maior de alguns tipos de cancro do ovário. No entanto, outras pesquisas não encontraram essa ligação, e os cientistas ainda discutem se a associação é causal ou se pode estar relacionada com outros fatores.

Estudos que analisaram outros tipos de cancro ginecológico, como câncer uterino ou cervical, não mostraram uma ligação clara com o talco.

O talco e o amianto (uma fibra natural cancerígena) ocorrem frequentemente próximos uns dos outros na natureza — e pode haver contaminação do talco com amianto durante a mineração.

Essa contaminação é relevante porque o amianto está claramente ligado ao cancro dos pulmões e a outras doenças graves, o que complica a interpretação dos estudos que analisam os efeitos do talco.

Em 2024, a Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizou a sua avaliação e classificou o talco como “provavelmente cancerígeno” para os seres humanos — o segundo nível mais alto de risco de cancro — com base em estudos em animais e algumas evidências em humanos.

Isto não prova definitivamente que o uso normal de produtos com talco causa cancro, mas indica que existe um risco potencial que ainda não está completamente esclarecido.

Se estás preocupado com o risco, algumas evidências médicas sugerem que pode fazer sentido reduzir ou evitar o uso de pós com talco, especialmente em áreas sensíveis, até que haja mais clareza científica.

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