A advogada que tinha sido nomeada há cerca de duas semanas por José Sócrates renunciou hoje, em audiência de julgamento, à defesa do antigo primeiro-ministro no processo Operação Marquês.
Sara Leitão Moreira justificou a decisão com o facto de não lhe ter sido dado tempo suficiente pelo tribunal para preparar a defesa do chefe de Governo entre 2005 e 2011.
A advogada tinha pedido cinco meses para se inteirar do processo, mas, em 09 de fevereiro, a presidente do coletivo de juízes, Susana Seca, concedeu apenas 10 dias e marcou o reinício do julgamento para hoje.
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Na segunda-feira, Sara Leitão Moreira interpôs recurso da decisão, tendo, no início da audiência de hoje, solicitado ao tribunal que se pronunciasse sobre a admissão da contestação, o que foi remetido pelas juízas para momento oportuno.
Na resposta, a defensora apresentou a renúncia à defesa de José Sócrates.
“O mandato nos presentes autos foi aceite de forma, livre e consciente. […] Contudo, em momento algum foi colocada a possibilidade de o tribunal violar o direito […] ao acesso a um processo justo e equitativo”, justificou Sara Leitão Moreira, que abandonou a sala mesmo depois de ter sido informada de que a renúncia só se efetivaria quando o seu cliente fosse notificado.
A saída originou uma participação à Ordem dos Advogados por parte do tribunal, para apuramento de uma eventual infração disciplinar.
Sara Leitão Moreira sucedeu na defesa do antigo primeiro-ministro a João Araújo, falecido em 2020, e a Pedro Delille e a José Preto, que renunciaram ao mandato em, respetivamente, 04 de novembro de 2025 e 13 de janeiro de 2026, com o julgamento, iniciado em 03 de julho de 2025, a decorrer.
José Sócrates, de 68 anos, está pronunciado (acusado após instrução) de 22 crimes, incluindo três de corrupção, por ter, alegadamente, recebido dinheiro para beneficiar o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES) e o ‘resort’ algarvio de Vale do Lobo.
No total, o processo conta com 21 arguidos, que têm, em geral, negado a prática dos 117 crimes económico-financeiros que globalmente lhes são imputados.
Os ilícitos terão sido praticados entre 2005 e 2014 e, no primeiro semestre deste ano, podem prescrever, segundo o tribunal, os crimes de corrupção mais antigos, relacionados com Vale do Lobo.
A jurista, com escritório em Coimbra, tem uma carreira que concilia a advocacia com a vida académica, desempenhando funções como professora assistente, de acordo com o seu perfil no LinkedIn.
Recorde-se que antes da entrada de Sara Leitão Moreira, José Sócrates foi representado por Pedro Delille, que renunciou ao cargo alegadamente devido a incompatibilidades com a juíza-presidente, e por José Preto, que também se afastou após ter estado internado com uma pneumonia.