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ADN de Leonardo da Vinci poderá estar escondido nas suas obras

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 3 horas atrás em 09-01-2026

Uma equipa de investigadores conseguiu extrair ADN vestigial de um desenho da época renascentista atribuído a Leonardo da Vinci, mas ainda não é possível confirmar se o material genético pertenceu realmente ao génio italiano.

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O desenho, feito a giz vermelho e chamado “Menino Santo”, apresenta semelhanças com sequências de ADN recuperadas de uma carta escrita nos anos 1400 por Frosino di ser Giovanni da Vinci, primo do avô de Leonardo, António da Vinci. Ambas contêm sequências do cromossoma Y correspondentes a um haplogrupo toscano, região onde Leonardo nasceu.

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Segundo o geneticista Charlie Lee, do Laboratório Jackson de Medicina Genómica, nos EUA, estas sequências representam “um excelente ponto de partida” para investigadores que pretendam reconstituir o ADN de Leonardo da Vinci. No entanto, alguns especialistas levantam dúvidas sobre a autoria do desenho, sugerindo que poderá ter sido feito por um aluno do mestre, pelo que o ADN pode pertencer a qualquer pessoa que tenha manuseado a obra ao longo dos séculos.

Os investigadores pretendem usar o ADN para autenticar obras de arte atribuídas a Leonardo e, eventualmente, estudar características biológicas que poderiam explicar algumas das suas excecionais capacidades artísticas. No entanto, o percurso é cheio de obstáculos: o túmulo de Leonardo, em França, foi parcialmente destruído durante a Revolução Francesa, e os seus restos mortais perderam-se ou foram misturados durante a transferência para a Capela de Saint-Hubert, em Amboise. Além disso, não existe autorização para sequenciar material genético do túmulo sem uma amostra de comparação fiável.

Os cientistas tentam, por isso, extrair ADN de outras obras de da Vinci, embora algumas estejam interditas e outras não contenham vestígios de ADN humano. Outra abordagem passa por localizar parentes masculinos vivos para comparar sequências do cromossoma Y, ou encontrar restos mortais da mãe de Leonardo, Caterina di Meo Lippi, que poderiam fornecer ADN mitocondrial.

Entre as fontes de ADN analisadas estão três ossos do avô de Leonardo, António da Vinci, uma madeixa de cabelo escavada em 1863 que poderá ter pertencido ao artista e manuscritos de familiares masculinos, incluindo a carta de Frosino di ser Giovanni.

Os investigadores destacam que a melhor oportunidade poderá vir de cadernos ou desenhos escritos pessoalmente por Leonardo, como o famoso Codex Leicester, que contém uma impressão digital quase certamente do artista.

O estudo foi pré-publicado no bioRxiv, e os cientistas esperam que os resultados ajudem a convencer autoridades e arquivistas a permitir a recolha de amostras de mais obras do polímata italiano.

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