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Coimbra

Administrador do Porto da Figueira diz que naufrágio não foi por causa da barra

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O administrador portuário da Figueira da Foz, José Luís Cacho, afirma que as condições da barra do porto não estão relacionadas com o naufrágio de uma embarcação de pesca que há duas semanas matou quatro pescadores.

“A navegação na barra não teve nada a ver com o acidente. O acidente deu-se muito fora da barra”, disse à agência Lusa José Luís Cacho, aludindo ao naufrágio da embarcação “Jesus dos Navegantes”, a 25 de outubro.

No entanto, e de acordo com o mesmo responsável, que preside à Administração do Porto da Figueira da Foz, desde as obras de prolongamento, em 400 metros, do molhe norte, a barra passou a ter uma orientação a sudoeste, diversa da anterior, a oeste, exigindo “uma navegação diferente da que era feita no passado”.

“Nós, a capitania, os nossos pilotos, temos feito reuniões, até com pescadores, e estamos todos empenhados em ensinar os mestres das embarcações a fazerem uma navegação mais cuidada porque a barra está diferente”, sustentou.

“Se está diferente, tem de ter uma navegação diferente. Estamos disponíveis para encontrar soluções para que as pessoas possam navegar com mais segurança na barra”, reafirmou José Luís Cacho.

Questionado sobre se no seu entender a ondulação dominante no local (noroeste) causa problemas às embarcações mais pequenas – uma queixa dos pescadores, que afirmam que as embarcações de pesca, quando demandam a barra, apanham com as ondas de lado – José Luís Cacho recusou entrar em “questões técnicas”.

“O que digo e mantenho é que estamos sempre disponíveis para dar apoio e formação à navegação”, frisou.

José Luís Cacho afastou, igualmente, a hipótese de um eventual assoreamento da barra ter causado o acidente: “A barra, hoje, encontra-se numa situação normal, não tem problemas de assoreamento, neste momento. Não quer dizer que, daqui a uns tempos, com as alterações do mar, não possa vir a assorear, é o que vai acontecer, como sempre aconteceu na barra da Figueira da Foz”.

Também o secretário de Estado do Mar, Manuel Pinto de Abreu, negou, na quarta-feira, que o naufrágio do dia 25 de outubro tenha estado relacionado com o assoreamento da barra, considerando que foi provocado por “condições excecionais”.

“O que se passou, e que está a ser investigado, não é consequência de uma situação de assoreamento da barra, é uma consequência de condições excecionais que exigem uma prática excecional da barra”, salientou o governante, considerando que é necessário que os pescadores promovam a sua própria segurança.

Ouvido pela Lusa, José Festas, antigo mestre de embarcações de pesca e presidente da Associação Pró-Maior Segurança dos Homens do Mar, afirmou que o Porto da Figueira da Foz “para a pesca está mal feito”.

“Lamentamos e continuamos a lutar para que haja maneira de solucionar este problema”, frisou.

José Festas lembrou que, “antigamente”, os navios saíam do porto da Figueira da Foz “quase este/oeste” mas que, agora, com a nova orientação da barra e mantendo-se a ondulação dominante de noroeste – embora, no dia do acidente, a direção das ondas estivesse de oeste – resulta que as embarcações “levem com as ondas de lado”.

“Penso que há uma solução que é dragar a parte norte do molhe. Permitiria aos nossos barcos de pesca a entrada de uma maneira diferente. Atualmente, a entrada é entrada de navios e continuamos a achar que não é viável para os nossos barcos pequenos”, argumentou.

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