Saúde

Açúcar após refeições pode aumentar risco de Alzheimer

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 1 hora atrás em 23-01-2026

Imagem: depositphotos.com

Novas evidências sugerem que picos elevados de açúcar no sangue após as refeições podem contribuir para o risco de desenvolver a doença de Alzheimer. O estudo, conduzido por investigadores do Reino Unido, oferece uma visão mais aprofundada sobre a relação entre diabetes, resistência à insulina e demência.

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Estudos anteriores já tinham identificado uma ligação entre diabetes e demência, mas ainda não estava claro se uma condição causava a outra ou quais os mecanismos biológicos envolvidos.

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Neste trabalho, os investigadores analisaram dados genéticos de 357.883 indivíduos, descobrindo que pessoas com níveis relativamente mais altos de glicose nas duas horas seguintes às refeições tinham 69% mais probabilidade de desenvolver Alzheimer.

“Esta descoberta pode ajudar a moldar futuras estratégias de prevenção, destacando a importância do controlo do açúcar no sangue não apenas de forma geral, mas especificamente após as refeições”, afirmou o epidemiologista Andrew Mason, da Universidade de Liverpool.

Para chegar a estas conclusões, a equipa recorreu à Randomização Mendeliana, uma técnica que permite estudar relações de causa e efeito através da análise de genes associados a determinados traços – neste caso, picos de glicose pós-prandial. Ao utilizar a genética com a qual cada pessoa nasce, este método minimiza a influência de fatores ambientais e outras condições de saúde.

Os investigadores verificaram que, embora existisse uma forte ligação entre os picos de açúcar após as refeições e Alzheimer, não foi encontrada qualquer associação entre níveis normais de glicose ou insulina, resistência à insulina e a doença de Alzheimer ou a demência em geral.

Além disso, exames cerebrais realizados a um subconjunto dos participantes não revelaram alterações no tamanho do cérebro ou do hipocampo, nem danos na substância branca, sugerindo que a ligação entre picos de açúcar e Alzheimer envolve mecanismos mais subtis.

“Estudos observacionais e de randomização mendeliana anteriores sugeriram que a glicemia duas horas após a sobrecarga é um marcador que prevê fortemente piores desfechos cardiovasculares”, escrevem os investigadores no artigo publicado. “Os nossos resultados sugerem que a predisposição genética para este marcador de glicose pós-prandial também está associada a um risco aumentado de doença de Alzheimer.”

Ainda não se sabe exatamente por que este pico de açúcar aumenta o risco de demência, mas os cientistas apontam que o cérebro depende da glicose como qualquer outro órgão do corpo. É possível que as células cerebrais sofram algum tipo de inflamação ou stress após as refeições, e compreender este mecanismo poderá abrir caminho a tratamentos ou medidas de prevenção.

Há, no entanto, uma ressalva importante: os resultados não foram replicados num conjunto de dados genéticos mais antigo, composto por 111.326 pessoas. Os investigadores sugerem que esta diferença poderá dever-se ao facto de o UK Biobank – utilizado no estudo principal – privilegiar participantes mais saudáveis e de nível socioeconómico mais elevado, além de se basear exclusivamente em pessoas de ascendência britânica branca.

“Primeiro precisamos replicar estes resultados noutras populações e ancestralidades para confirmar a ligação e entender melhor a biologia subjacente”, afirmou a epidemiologista genética Vicky Garfield, também da Universidade de Liverpool. “Se validado, o estudo poderá abrir caminho para novas abordagens para reduzir o risco de demência em pessoas com diabetes.”

A investigação foi publicada na revista Diabetes, Obesity and Metabolism.

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