O Automóvel Clube de Portugal (ACP) considerou sábado que a resposta do Governo para mitigar o preço dos combustíveis é “insuficiente” e apelou à adoção de medidas “imediatas” para aliviar o impacto causado pela guerra no Irão.
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Manifestando a sua “profunda preocupação” pela escalada de preços nas bombas de gasolina e criticando a “ausência de respostas eficazes por parte do Governo para mitigar o impacto junto das famílias e das empresas”, o ACP pediu ao executivo liderado por Luís Montenegro um “papel ativo” e liderança para adotar medidas que “de facto suavizem o impacto que esta crise está a provocar”.
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“O que estamos a assistir é uma total desproporção entre o aumento real dos preços e a resposta do Governo. É incompreensível que, num momento desta gravidade, continuem a prevalecer a inação e a falta de medidas estruturais. O país precisa de liderança, bom senso e coragem política para proteger famílias e empresas”, defendeu o presidente do ACP, Carlos Barbosa, num comunicado do clube.
A instituição recordou que, após o início da guerra no Médio Oriente, desencadeada pelo ataque de Israel e dos Estados Unidos ao Irão, o preço do litro do gasóleo “aumentou cerca de 45 cêntimos e o da gasolina 25 cêntimos”, mas o apoio em sede de ISP (imposto sobre os combustíveis) tem sido manifestamente insuficiente”, refletindo-se “em apenas 6,1 cêntimos por litro no gasóleo e 3,3 cêntimos na gasolina”.
“A partir desta segunda-feira, a situação torna-se ainda mais evidente: o apoio traduz-se numa poupança real de apenas 3,2 cêntimos no gasóleo e 1,7 cêntimos na gasolina, quando os aumentos previstos são de 16 cêntimos no gasóleo e nove cêntimos na gasolina. Perante estes números, torna-se inevitável questionar a eficácia das medidas adotadas”, argumentou o clube.
A descida de um ou dois cêntimos no Imposto sobre produtos petrolíferos (ISP)) é “manifestamente insuficiente” e é “desajustada à realidade”, considerou também, lembrando que “o Estado continua a arrecadar milhões em receita fiscal através do ISP e do IVA” (imposto sobre o consumo) e “o peso continua a recair sobre os contribuintes”.
O ACP observou que os encargos médios suportados pelas famílias são já “muito superiores ao expectável, num contexto de inflação galopante que fragiliza ainda mais uma economia já de si vulnerável” e, da parte do poder nacional, “não se vislumbra uma estratégia robusta e determinada” para fazer frente a esta crise.
“Adiar decisões, esperando por soluções ao nível europeu, revela falta de liderança e sensibilidade perante a gravidade da situação. O ACP considera que o Governo tem a obrigação de assumir um papel ativo e liderar o rumo do país, adotando medidas concretas e imediatas e que de facto suavizem o impacto que esta crise está a provocar”, apelou.
Entre as medidas propostas pela instituição estão uma redução significativa da receita fiscal arrecadada em sede de ISP e IVA, que traria “sustentabilidade” à economia nacional e um “alívio efetivo dos encargos dos portugueses”.
O Automóvel Clube de Portugal pediu, por isso, que Governo, parlamento e Presidente da República adotem “medidas efetivas que permitam suavizar o impacto desta crise e devolver alguma previsibilidade e equilíbrio à economia nacional”.
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