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Académicos de vários países advertem contra a instrumentalização do antissemitismo

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Meia centena de académicos de vários países advertiram hoje contra a instrumentalização política da luta contra o antissemitismo, alerta que coincide com a realização esta quarta-feira na Suécia do Fórum Internacional de Memória do Holocausto e Combate ao Antissemitismo.

“Lançamos uma severa advertência contra a instrumentalização política da luta contra o antissemitismo. No interesse da integridade, credibilidade e da eficácia dessa luta, instamos os líderes [presentes] no Fórum de Malmo [Suécia] a rejeitarem e a contrariarem esta instrumentalização”, defenderam 54 académicos de diferentes nacionalidades e especialistas nesta matéria numa carta aberta hoje divulgada, na qual denunciam um certo favorecimento internacional de Israel nesta questão.

Representantes da União Europeia (UE) e das Nações Unidas, bem como chefes de Estado e de Governo de vários países, estão reunidos hoje e quinta-feira em Malmo a convite do primeiro-ministro sueco, Stefan Lofven, para participar nesta reunião internacional, que acontece 21 anos depois do Fórum Internacional de Estocolmo sobre o Holocausto, que produziu a Declaração de Estocolmo, documento que daria origem à Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA, na sigla em inglês).

Portugal está representado no fórum internacional pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

Na carta aberta, os académicos exortam os participantes do fórum “a comprometerem-se conjuntamente em rejeitar e em contrariar a crescente instrumentalização política da luta contra o antissemitismo” que, segundo frisaram, “mina os valores democráticos e os direitos humanos” e “está a causar graves danos” a esse mesmo combate.

Os signatários salientaram, no entanto, que acolhem com agrado e apoiam o propósito declarado do fórum a decorrer na cidade sueca, que é “dar em conjunto passos concretos no trabalho da preservação da memória do Holocausto e da luta contra o antissemitismo”.

“O antissemitismo e todas as outras formas de racismo e de intolerância representam uma ameaça crescente que deve ser combatida com o máximo vigor”, defenderam os académicos, que realçam, porém, que encaram com “uma particular preocupação” a “definição funcional de antissemitismo” que a IHRA adotou em maio de 2016, na sequência do Fórum Global de Combate ao Antissemitismo de 2015, organizado então pelo Governo de Israel.

Desde então, de acordo com os académicos, a definição da IHRA incorporou 11 “exemplos contemporâneos de antissemitismo”, sete dos quais relacionados com Israel.

“Estes exemplos estão a ser usados como armas contra organizações de direitos humanos e contra ativistas que denunciam a ocupação de Israel e as violações dos direitos humanos”, denunciam.

“Legitimam acusações injustas de antissemitismo, que servem de aviso a qualquer pessoa que critique o tratamento dado por Israel aos palestinianos. Isto tem um efeito paralisador sobre a liberdade de expressão e a liberdade académica e compromete a luta contra o antissemitismo”, sustentam os signatários.

Os académicos temem que esta abordagem se instale nas políticas europeias e “seja um prelúdio para políticas discriminatórias e repressivas”.

Na opinião dos académicos, que defendem “o espírito universalista da Declaração de Estocolmo”, a nova (e primeira) estratégia da União Europeia (UE) para combater o antissemitismo e promover a vida judaica, apresentada no passado dia 05 de outubro pela Comissão Europeia, “alimenta tais preocupações”.

Como tal, os especialistas exortam os líderes presentes em Malmo a adotarem “uma definição alternativa de antissemitismo” lançada no início deste ano, a Declaração de Jerusalém sobre o Antissemitismo, um documento elaborado e assinado por mais de 300 académicos dos Estados Unidos, Israel e da Europa.

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