Em nome da oposição e do povo português, vimos denunciar uma das maiores falhas do atual Governo: a morte silenciosa e evitável de idosos que aguardam horas a fio, por apoios médicos essenciais.
Estamos no início de 2026, e os números são alarmantes. Só até 29 de dezembro de 2025, registamos um aumento de 1.461 mortes detetadas e registadas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) em comparação com o período homólogo anterior. Este excesso de mortalidade persiste há 26 dias consecutivos, com óbitos diários frequentemente acima dos 400, e picos que ultrapassam as 500 mortes, representando um excesso superior a 37% face ao esperado.
Mas não nos enganemos: estas mortes não são meras fatalidades da natureza. Elas resultam de falhas sistémicas no SNS, perpetuadas pela inação deste Governo. Em regiões como Coimbra, Lisboa, Algarve e Alentejo, os utentes esperam mais de três meses – por vezes até cinco – por vagas em unidades de cuidados continuados de longa duração. No final de 2024, havia 1.792 pessoas à espera de um lugar na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI), uma ligeira melhoria face a 2023, mas ainda assim um aumento de 14,7% em relação a 2022. Os serviços de urgência estão em situação caótica, com tempos de espera que chegam às 20 horas na grande área metropolitana de Lisboa, um caos que compromete a vida de quem mais precisa. Casos trágicos, como o de um homem que morreu no Seixal à espera de socorro, ilustram a gravidade: o Ministério Público já abriu inquérito, mas onde está a responsabilidade política?
PUBLICIDADE
Perguntamos: falhou o cuidado com os idosos nos lares residenciais? Falhou o transporte destes utentes ou os cuidados primários de saúde? Falhou o acesso às urgências hospitalares? Os internamentos sociais nos hospitais agravam o problema, com um aumento de 32% no número de utentes em 2024 e uma média de internamento que subiu para 47,8 dias até novembro de 2025. E nos lares de idosos, das mortes registadas em Portugal, uma proporção significativa ocorre nestes espaços – 327 óbitos só num período recente, com distribuição concentrada no Norte, Centro e Lisboa.
Este Governo, tem a obrigação de explicar ao país o que se passa. Não aceitamos mais silêncios ou desculpas. Exigimos que o Senhor Primeiro-Ministro venha hoje, a público, prestar contas à nação.
Explique as causas deste aumento de mortes! Apresente medidas concretas para reduzir os tempos de espera, reforçar os cuidados continuados e proteger os nossos idosos. O SNS é um pilar da nossa democracia, e não pode ser abandonado à sorte e até à morte.
Os idosos de Portugal merecem dignidade, não negligência. O tempo de agir é agora! de Portugal merecem dignidade, não negligência. O tempo de agir é agora!
OPINIÃO: Paulo Seco | Deputado na Assembleia da República – Eleito por Coimbra
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE