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Opinião

A “Syrilização”

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Grécia: Berço da civilização ocidental e da democracia. Dos gregos nasceu a política: Atenas, Esparta, filósofos, pólis. Palavras-chave quando pensamos em Grécia. Contudo, o berço da civilização sempre sofreu com tormentos. A história prova-nos isso. Talvez os Deuses Gregos nunca tenham acertado ou provavelmente não se sintam bem com os atos dos seus cidadãos.

Domingo passado o mundo centrou-se nas eleições gregas. E uma nova palavra ganhou destaque como chave no que respeita aos helénicos: Syriza.

Não vou aqui falar de economia, não vou aqui falar da Troika nem sequer naquilo que penso em termos da posição que a Grécia tem tomado ou que na minha opinião virá a tomar nos próximos tempos. Isso, se necessário, deixarei para no futuro opinar.

Quero com isto salientar dois pontos:

Em primeiro lugar, os gregos mostraram que têm a lição bem estudada. Dentro de casa ninguém se esqueceu dos princípios essenciais da democracia: Liberdade de escolha, direito a escolher. Os eleitores fizeram o seu juízo de valor acerca do momento que atravessam e procuraram mais uma vez uma nova alternativa. Com isto a velha Europa tem agora um novo desafio para conquistar os seus cidadãos: o “efeito Syriza” poderá sentir-se em mais países. Resta agora lidar com isso sem esquecer que cada país tem as suas diferenças e sem por em causa o projecto Europeu. Importa que a democracia continue a sentir-se com esta ascensão dos partidos populistas virados ao extremo.

Daqui parto para o segundo e mais importante ponto que gostaria de evidenciar: O oportunismo político que a oposição em Portugal tem tirado desta situação. Já que falamos de Grécia, é bom relembrar os ensinamentos de Platão que um dia afirmou que “assim como existem misantropos que têm aversão à sociedade, existem os misológicos que tem ódio ao raciocínio”.

Pois bem, parece que o Bloco de Esquerda e o PS, na figura dos seus líderes em particular, devem estar a sofrer de misologia depois das afirmações e discursos aquando da vitória do Syriza. Parece que a esquerda tenta a todo o custo contagiar os portugueses com misologia. O que vale é que a tentativa é tão antiga que ou ficamos imunes ou então somos vacinados.

Por um lado, o Bloco de Esquerda: Catarina Martins falou como se tivesse acabado de ganhar as eleições, esquecendo-se da diferença essencial entre Grécia e Portugal e esquecendo ainda que o seu partido irmão grego tem como suporte uma base ideológica melhor definida do que o dito partido português que se quer afirmar como uma alternativa.

Depois disto, mais uma prova de que não o são e que a esquerda portuguesa procura a todo o custo tirar proveito da situação. (O Syriza com tantos alicerces ideológicos bem que poderia emprestar um bocadinho de ideologia ao bloco de esquerda que há muito tenta definir alguma! Talvez assim ganhassem mais adeptos…)

Por outro lado… Consta que a “Syrilização” se instaurou também no PS! O Sr. António Costa mostrou um grande contentamento com a vitória na Grécia. Está no seu direito! Mas mais uma vez mostrou o seu lado misológico: O PASOK não entrou no seu discurso, muito menos o resultado vergonhoso e a pesada derrota que sofreu!

Eu, assim como alguém que tenha o raciocínio em plena saúde, consegue perceber que na Grécia o Partido Socialista desapareceu. Talvez esse facto tenha causado dificuldade ao Sr. António Costa em raciocinar que o Syriza não é o partido irmão do Partido Socialista em Portugal. Concluo em jeito de reflexão: Será que temos uma intenção de mudança estratégica por parte do PS? Pois a mim, custa-me a crer…

Ou será que o Partido Socialista ao assistir a esta “Syrilização” se apercebeu que esse efeito pode ter um forte impacto na Europa, onde os partidos socialistas são os grandes derrotados deste “efeito Syriza”, dando especial destaque a Espanha onde o PSOE cada vez menos se afirma como alternativa? Será que podemos assistir a um contentamento tão grande por parte do Sr. António Costa se o “Podemos” conquistar a vizinha Espanha? Poder até podíamos, mas não era a mesma coisa.

ANA CDS

ANA MARTINS

 Vogal da Distrital de Coimbra do CDS  

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