A Dueceira- Associação de Desenvolvimento do Ceira e Dueça apresentou a agenda gastronómica para o ano de 2026, uma iniciativa que envolve os quatro municípios das Terras da Chanfana — Lousã, Miranda do Corvo, Penela e Vila Nova de Poiares — e que tem como principal objetivo a promoção do território através da gastronomia.
Victor Carvalho, presidente da autarquia lousanense explicou que a iniciativa pretende atrair visitantes valorizando aquilo que une os quatro concelhos. “O grande objetivo desta agenda gastronómica é, sem dúvida, promover o nosso território. Temos a perfeita noção de que uma das formas de fazer as pessoas deslocarem-se a outros locais é precisamente estarem sentadas à mesa, em momentos de convívio e de partilha”, afirmou.
Segundo o autarca, a chanfana surge como o elemento agregador deste projeto. “Chegámos à conclusão de que, através de algo que nos é comum a todos — a chanfana —, poderíamos criar esta relação entre os quatro municípios. Foi um bom mote para trazer as pessoas aos nossos territórios”, sublinhou.
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O projeto Terras da Chanfana, já amplamente reconhecido e premiado, continua assim a afirmar-se como um motor de atração turística. “Todos os anos recebemos pessoas dos mais variados locais que vêm à Lousã, a Penela, a Miranda do Corvo e a Poiares para provar as nossas iguarias”, destacou Victor Carvalho.
Apesar da chanfana ser o prato principal, a agenda gastronómica dá também destaque a outras especialidades locais. “Na Lousã temos o cabrito, muito apreciado por quem nos visita. Em Penela destaca-se o galo, em Miranda do Corvo os negalhos, e em Poiares também a chanfana, havendo até uma rivalidade saudável entre os concelhos”, explicou.
A gastronomia alia-se ainda à valorização dos produtos vínicos e da paisagem da região. “Este esforço é também para trazer pessoas aos restaurantes, aos hotéis e dar um sinal claro a quem investe no território de que estamos ao lado desses operadores turísticos”, referiu, acrescentando que “quem nos visita sai daqui com o coração cheio e a barriga confortável”.
A rivalidade em torno da melhor chanfana é assumida com boa disposição. “É uma competição muito saudável e até já nos levou a pensar em criar um desafio para que quem nos visita possa provar e avaliar as várias chanfanas. Assim, têm de nos visitar mais vezes”, brincou o presidente.
A agenda gastronómica de 2026 inclui cerca de três dezenas de iniciativas, distribuídas ao longo do ano, reforçando a identidade das Terras da Chanfana como um destino de excelência do turismo gastronómico no Centro de Portugal.
A marca Terras da Chanfana, criada em 2018, nasceu da união dos quatro concelhos e ganhou projeção nacional ao vencer as 7 Maravilhas à Mesa, tendo a chanfana como elemento agregador. “Foi através da chanfana que nos unimos e recriámos alguns dos festivais gastronómicos”, destacou o autarca da Lousã.
No concelho da Lousã, a agenda inclui o Festival da Chanfana (20 de fevereiro a 1 de março), as Semanas Gastronómicas do Cabrito (24 de abril a 3 de maio), a Feira Anual de São João, o Festival Sabores de Outono e, em novembro, a Feira da Castanha e do Mel.
Já José Miguel, presidente da Câmara de Miranda do Corvo, destacou o caráter diferenciador do território: “Temos uma oferta ímpar do ponto de vista nacional, porque conseguimos aliar património natural, cultural e gastronómico de excelência.”
Em Miranda do Corvo, o destaque vai para a Semana Gastronómica da Chanfana, que decorre a partir de 24 de abril, e para a Expo Miranda, no final de maio e início de junho. “Queremos transformar a forma como promovemos a nossa chanfana e os pratos que estão à volta dela”, adiantou.
Em Penela, o presidente da autarquia lembrou que “a chanfana é o ponto comum dos quatro municípios”, mas destacou também outros eventos de sucesso, como a Semana do Galo (janeiro), a Quinzena da Chanfana (março), a Semana da Caça (maio), a Semana do Borrego e do Cogumelo (novembro), além da Vinália, da Feira do Mel e da Feira do Queijo do Rabaçal.
“Quem vem ao nosso território quer sempre voltar. É porque temos alguma coisa de bom”, sublinhou.
Em Vila Nova de Poiares, o presidente da Câmara destacou a herança comum dos municípios e a importância estratégica da gastronomia no turismo. “Partilhamos todos uma herança comum e a gastronomia é algo que atrai turistas. A chanfana tem aqui um papel muito importante”, afirmou.
A agenda poiarense inclui a Semana do Cabrito e do Folar (1 a 5 de abril), o Festival do Petisco (maio), o Mercado Antigo (13 e 14 de junho), a Semana do Arroz de Bucho e Negalhos (15 a 21 de junho), a Poiartes (setembro) e o Mercado de Natal.
Os autarcas destacaram ainda que a agenda conjunta permite evitar sobreposições de eventos e potenciar o impacto económico. “Mais visitantes significa mais negócio para a restauração, para os produtores locais, para o alojamento e para toda a infraestrutura turística”, explicou José Miguel.
Foi também abordada a criação de projetos-piloto para jovens pastores, em articulação com o Ministério da Agricultura, como forma de valorizar a produção local e responder aos desafios do território.
“A valorização do território é essencial para fixar investimento e pessoas”, concluiu o autarca, reforçando que a gastronomia continuará a ser um dos principais motores de desenvolvimento das Terras da Chanfana.
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