Portugal

A maior falsificação de notas do mundo aconteceu em Portugal

Notícias de Coimbra | 2 horas atrás em 02-01-2026

O nome de Artur Virgílio Alves dos Reis ainda ecoa como o responsável pela maior burla financeira da história de Portugal e pela maior falsificação de notas do mundo.

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Nascido em Lisboa, em 1896, filho de um simples cangalheiro, Alves dos Reis destacou-se desde cedo pela sua habilidade em mentir e falsificar, tornando-se uma das figuras mais emblemáticas do crime organizado do século XX.

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A sua carreira criminosa começa em Angola, onde, em 1916, chega com um falso diploma e uma história inventada, alegando ser um engenheiro formado em Oxford. Usando cheques sem fundo, acaba por adquirir uma fortuna através da compra das ações dos Caminhos de Ferro Transafricanos de Angola. Mas isso foi apenas o início. De volta a Lisboa, o seu nome já era sinónimo de fraude, envolvendo-se em esquemas como o desfalque da Companhia Ambaca, o que o leva à prisão por tráfico de armas e outros crimes.

Foi na cadeia, em 1924, que ele conceberia o golpe que o tornaria uma lenda: Alves dos Reis forjou um contrato com a empresa britânica Waterlow & Sons, responsável pela impressão de notas para o Banco de Portugal. Com uma audácia inacreditável, falsificou assinaturas e documentos oficiais e conseguiu que a tipografia imprimisse 200 mil notas de 500 escudos, totalizando cerca de 1% do PIB português da época. Com as notas a circular, ele fundou o Banco Angola e Metrópole e começou a comprar ações do Banco de Portugal, tentando assim encobrir a fraude, refere o site ZAP.

No entanto, o esquema não resistiu ao jornalismo investigativo. O jornal “O Século” revelou a trama, expondo a circulação de notas falsas. Alves dos Reis foi preso em 1925 e condenado a prisão e degredo em 1930. Mesmo após cumprir a pena, tentou retomar a sua carreira criminosa, mas morreu falido em 1955, deixando para a história um legado de audácia e engano que até hoje impressiona.

Para quem quiser se aprofundar mais nesta história lendária, o deputado Rui Tavares dedicou dois episódios do seu podcast Tempo ao Tempo ao extraordinário caso de Alves dos Reis.

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